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13 de agosto de 2021
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Prezadas leitoras, caros leitores —

Anote estes anos: 1889, 1891, 1930, 1937, 1945 e 1964.

Em cada um deles, generais tomaram parte na tomada à força de poder. Em um caso bastou que um trio de oficiais entrasse num gabinete e desse ordens de prisão ao presidente. Noutro, foi cercado o Congresso Nacional por tropas. Num terceiro, canhões foram virados na direção da capital federal com ameaça de tiro.

Pois é. Temos uma história longa com o Exército Brasileiro. E não é uma história democrática.

É assim cheio de significado histórico quando, perante uma votação que não interessa a um presidente, ele dá ordens para que tanques circulem perante o Parlamento. Desta vez, neste 2021, foi tratado como ridículo pelo caquético dos tanques. E talvez o humor seja mesmo nossa salvação.

Mas não podemos esquecer da história desta relação entre militares brasileiros e a democracia.

Na edição deste sábado, o Meio recontará a história de cada um destes golpes militares. Os que tiveram sucesso — pois outros muitos fracassaram.

Porque é importante lembrarmos.

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— Os editores.


STF abre nova frente contra Bolsonaro


O presidente Jair Bolsonaro foi brindado nesta quinta-feira com mais um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Alexandre Moraes acolheu o pedido unânime do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para investigar o vazamento por Bolsonaro numa live e publicação em rede social de uma investigação sigilosa da Polícia Federal sobre um ataque hacker à Corte eleitoral em 2018. Além disso, o presidente distorceu as informações, dando a entender que o ataque atingiu as urnas eletrônicas, o que não aconteceu. Na semana passada, Moraes incluiu Bolsonaro no inquérito das fake news por seus constantes ataques ao sistema de votação brasileiro. Ontem, o ministro determinou ainda que as redes sociais apagassem os posts com o vazamento. (Folha)

Bolsonaro ironizou a decisão de Moraes dizendo que não adiantava apagar as postagens porque “todo mundo já copiou”. (UOL)

Por sua vez, o TSE tomou os depoimentos do Ministro da Justiça, Anderson Torres, e do coronel da reserva Eduardo Gomes, que participaram de live em que Bolsonaro voltou a alegar fraudes eleitorais no Brasil. Os dois admitiram não terem quaisquer provas que sustentem essas acusações. Torres é investigado na Justiça Eleitoral por propaganda antecipada em favor de Bolsonaro. (Globo)

Uma das maiores mudanças para pior na reforma política aprovada na Câmara, a volta das coligações proporcionais pode literalmente parar no Senado. É grande a resistência na Casa à mudança, uma vez que a regra foi aprovada em 2017 e só foi aplicada de fato, com resultados positivos, nas eleições municipais de 2020. E nem é preciso que os senadores rejeitem a medida. Basta que ela fique parada e não seja votada a tempo de ser sancionada até o início de outubro, não valendo para o pleito do ano que vem. O presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), já avisou que tem outras prioridades. (Folha)

Enquanto isso... Um dia depois de mimar os partidos nanicos com o retorno das coligações proporcionais, a Câmara foi além e aprovou o projeto oriundo do Senado que cria as federações partidárias. O que isso significa? Duas ou mais legendas com programas ou interesses pecuniários comuns podem montar uma federação que tem de durar pelo menos quatro anos. Terão um único líder, mas poderão manter suas próprias burocracias e escapar da cláusula de desempenho. (Poder360)

Confira como votou cada deputado na questão das federações partidárias. (G1)

Entenda as mudanças trazidas pela reforma eleitoral. (Poder360)

E a expressiva votação em favor da PEC no voto impresso, 229 votos, mesmo insuficiente para sua aprovação, tem explicação. O Executivo liberou R$ 1 bilhão em emendas parlamentares sem fiscalização às vésperas de a matéria ser votada. (Estadão)

Meio em vídeo. A gente tanto fala dos militares, tanto falamos do Centrão, Bolsonaro então. Um autoritário, um mentiroso, alguém que o dia todo trabalha contra a democracia. Mas a gente não fala o suficiente de PSDB e PT. Pois é. Devíamos. Porque, esta semana, os dois, de formas diferentes, também agiram para deteriorar a democracia. Confira o Ponto de Partida no YouTube.

Dois dias depois do arquivamento da PEC do voto impresso, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tomou uma iniciativa para tentar serenar os ânimos. O presidente da Corte, ministro Luiz Roberto Barroso, anunciou medidas para aumentar a transparência no processo de auditoria das urnas eletrônicas. Os códigos-fontes das urnas serão liberados em outubro, antecipando em seis meses o prazo para que eles avaliem o sistema. Também foi ampliado o número de urnas escolhidas aleatoriamente para auditoria. Barroso lembrou que desde 2016 os partidos não enviam técnicos para a fiscalização, mas atribuiu o fato à confiança no sistema. (CNN Brasil)

Se o clima na CPI da Pandemia andava morno desde o fim do recesso, a coisa pegou fogo ontem com o depoimento do líder do governo da Câmara, Ricardo Barros (PP-PR). Falando como convidado, ele revoltou os senadores ao acusar a CPI de atrapalhar as negociações do Brasil por mais vacinas. O senador Humberto Costa (PT-PE) reagiu, dizendo que a comissão impediu que houvesse roubo. O deputado é suspeito de indicar funcionários em postos-chave do Ministério da Saúde na negociação de vacinas com intermediários. O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), também se indignou e disse que o governo queria “tirar proveito da compra das vacinas”, encerrando a sessão em seguida. Barros deverá voltar a depor, agora como convocado, mas já avisou que não mudará de postura. (G1)


Após a saída das tropas americanas do Afeganistão, a ofensiva do Talibã parece incontrolável. O grupo islâmico tomou mais três cidades, incluindo Kandahar, a segunda maior do país. (CNN)


Como funciona a Câmara

Tony de Marco

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Cultura


A Cia. Perversos Polimorfos realiza hoje o primeiro de seus Ensaios Perversos, maratona noite adentro que inclui uma conversa com o psicanalista Christian Dunker, performances de Guma Joana e Augusto Follmann e, ao final, festa com o DJ Rodrigo Bento.

No sábado, o Inhotim exibe um show de Pedro Luís gravado na cobertura da Galeria Cosmococa com a orquestra de câmara do instituto e repertório de canções de Luiz Melodia. Mais tarde, o Sepultura realiza uma live de lançamento do disco SepulQuarta, feito a partir da série de jam sessions organizadas pela banda durante a pandemia.

O programa Roda Viva recebe na segunda o bamba e escritor Martinho da Vila. A entrevista será transmitida nas redes da TV Cultura.

Para ver a agenda completa, clique aqui.

Quando a cultura brasileira ainda tentava se refazer da morte de Paulo José, foi atropelada pela notícia de que a Covid-19 havia levado, aos 85 anos, Tarcísio Meira, talvez o ator mais emblemático de nossa teledramaturgia. Nunca a figura heroica do galã foi tão bem encarnada quanto por aquele paulistano nascido Tarcísio Magalhães Sobrinho em 1935. O 1,85m de altura, o queixo forte e o porte atlético ajudavam na composição desde o início da carreira, ainda no teatro, em 1957, após ser reprovado na prova para diplomata. Estreou na TV em 1961, no teleteatro Uma Pires Camargo (ao qual voltaremos daqui a pouco), na TV Tupi, onde fez no ano seguinte 25499 Ocupado, primeira telenovela brasileira. Em 1970, já na Globo, parou o Brasil ao encarnar João Coragem, o protagonista de Irmãos Coragem. Dali em diante era impossível pensar em novelas sem pensar em Tarcísio Meira, que participou delas até 2018. E ele não se prendia à figura do galã. Arriscou-se com sucesso em comédias e vivendo vilões, como o antológico Hermógenes da minissérie Grande Sertão: Veredas. (Globo)

Mas há outro nome cuja falta os leitores cá deste Meio estão sentindo. Não dá para falar de Tarcísio Meira sem falar de Glória Menezes. No set de Uma Pires Camargo ele a viu passar e pensou “que mulherão”. Ela se apaixonou à primeira vista. Um ano depois estavam casados, uma união que só terminou ontem. Eram par obrigatório nas novelas, onde viviam romances que nem chegavam perto do amor na vida real. (UOL)

Glória, que foi internada no mesmo dia que o marido, mas apresentou apenas sintomas leves da Covid-19, já sabe da morte de Tarcísio e, segundo sua assessoria, recebeu a notícia com “muita, muita tristeza”. Ela deve ter alta nos próximos dias. (Extra)

Se na TV ele nem sempre conseguia escapar da figura do galã, no cinema Tarcísio Meira esbanjou versatilidade. Foi de Casinha Pequenina (1963), dirigido e estrelado por Mazzaropi, a A Idade de Terra (1980), último filme do ícone Glauber Rocha. Encarou vilões rodrigueanos em O Beijo no Asfalto (1981) e Boca de Ouro (1990) e atuou sob Walter Hugo Khouri nos polêmicos e incestuosos Amor Estranho Amor (1982) e Eu (1987). (Folha)

Numa ironia quase poética, Tarcísio e Paulo José atuaram juntos na novela Um Anjo Caiu do Céu (2001) na qual seus personagens combinavam de se encontrar “lá em cima”. Que tenha sido um feliz encontro. (Folha)

A notícia devastou a classe artística. Veja algumas das reações nas redes sociais. (Terra)

Confira alguns dos principais papeis de Tarcísio no cinema e na TV. (Estadão)

Se já havia recebido duas doses de vacina, como Tarcísio Meira morreu de Covid-19? Entenda. (G1)

Por mais desprezível que seja, pessoas usaram a morte do ator para disseminar mentiras sobre a vacina. (UOL)

Viver


Após críticas de governadores e prefeitos ao atraso na distribuição de vacinas, o Ministério da Saúde admitiu nesta quinta-feira ter 9,5 milhões de doses da CoronaVac e da Pfizer paradas em seu depósito em Guarulhos (SP) e prometeu que 3,6 milhões serão distribuídos ao longo do fim de semana. O pior é que as vacinas não param de chegar. Ontem a Pfizer entregou um milhão de doses pelo terceiro dia consecutivo. (G1)

Com base na promessa do ministério, a prefeitura do Rio programou retomar ainda hoje a aplicação da primeira dose, que estava interrompida desde quarta-feira. O prefeito Eduardo Paes pretendia vacinar todos os adultos até o dia 18 e começar a imunizar os adolescentes no dia 23. Mas, para isso, precisa da Pfizer, a única autorizada pela Anvisa para aplicação em pessoas de 12 a 17 anos. (Estadão)

Enquanto isso... Três das mais importantes universidades de São Paulo informaram que vão exigir imunização de professores e alunos para retomarem as aulas presenciais. A USP pretende retomar suas atividades em 4 de outubro, mas apenas para quem estiver com a vacina em dia. Unesp e Unicamp dizem que farão a mesma exigência, mas ainda não anunciaram a data de retorno. (Folha)

Nesta quinta-feira foram registradas 975 mortes por Covid-19 no Brasil, trazendo a média móvel em sete dias para 884, o 13º dia abaixo de mil, embora a redução de 13% na comparação com o período anterior volte a sinalizar estabilidade, após 12 dias de queda. Desde o início da pandemia, 566.988 pessoas perderam a vida para o coronavírus. (UOL)

E, assim, como quem não quer nada. Sabe você que ainda está nessa de inalar fumaça tóxica? Então, um estudo feito no Japão indica que o tabagismo pode diminuir a resposta imune à vacina. Pare de fumar. Apenas pare. (Globo)

Uma equipe de cientistas brasileiros e chineses descobriu duas novas espécies de dinossauros na província autônoma de Xinjiang, no noroeste da China. Ambas eram saurópodes, aqueles herbívoros gigantes quadrúpedes de pescoço comprido. Esse tipo de animal era comum nas Américas, mas não na Ásia, daí a importância da descoberta. “Esse novo material é um registro antigo para o grupo, que pode explicar que eles podem ter se diversificado muito antes do que se imaginava, na Ásia”, disse a pesquisadora Kamila Bandeira, especialista em saurópodes do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), integrante da equipe. (Estadão)

Cotidiano Digital


Então... Finalmente o aplicativo de dancinhas alcançou o topo da lista dos apps mais baixados do mundo. Lançada globalmente em 2017 pela ByteDance, a mídia social chinesa de vídeos curtos ultrapassou o Facebook e seus demais serviços em número de downloads, inclusive nos Estados Unidos. Este ano, o Facebook ficou em segundo lugar no ranking, seguido pelo WhatsApp. Aqui a lista com os 10 principais. (Nikkei Asia)

E por aqui só dá aplicativo chinês no celular dos brasileiros. Um relatório da AppsFlyer mostrou que 21% dos 3 mil apps mais instalados no Brasil são da China. Os nacionais representam 12%, empatando também com os EUA (12%). (Mobile Time)

Para os gamers, a novidade é novo decreto editado por Jair Bolsonaro que reduz o imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), incluindo jogos eletrônicos e acessórios. Para consoles e videogames, por exemplo, a alíquota passou de 30% para 20%. (O Globo)

Mais uma empresa de grande porte sofreu ataque hacker. Desta vez, a Accenture, vítima de um ataque de ransomware. O bando conhecido como LockBit teria obtido acesso a 6 TB de arquivos da companhia e exigido o pagamento de US$ 50 bilhões em criptomoedas. (Canaltech)





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13 de agosto de 2021
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