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14 de janeiro de 2022
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Prezadas leitoras, caros leitores —

Quem acompanhou a grande imprensa nos últimos meses pode ter saído com a impressão de que o futuro da internet está no Metaverso. É disso que Mark Zuckerberg gostaria de convencer muita gente. Mas, enquanto a tecnologia para este universo paralelo digital ainda está pelo menos dez anos no futuro, aguardando as redes 6G e os óculos de realidade virtual de fato confortáveis, há outra internet muito diferente da atual se aproximando.

É o que chamamos Web 3.0.

A primeira versão da web foi aquela que conhecemos nos anos 1990, com todas suas páginas estáticas. A Web 2.0 é a atual, a web social, em que usuários fazem boa parte do conteúdo que consumimos. É também uma web centralizada em grandes corporações, no Facebook, no Google, nas gigantes que armazenam todos os dados e que controlam os sistemas pelos quais interagimos.

A Web 3.0 rompe isto: é a internet que será descentralizada. Quem ouve os mais utópicos pode sair com a impressão de que será uma rede inteiramente controlada pelos usuários. Esta é, sim, uma possibilidade. Mas o que esta nova versão da internet será ainda não está claro. Sua tecnologia de base é o blockchain, aquilo que permite às criptomoedas existirem. A Web 3.0, num país como o Brasil, pode eliminar de uma só tacada a necessidade de qualquer cartório — é o pesadelo de burocratas. As esperanças são muitas.

Mas há uma guerra em curso pela sua definição. E, diferentemente do Metaverso, as tecnologias que permitirão sua existência já existem, já foram testadas e funcionam.

Este, explicar o que é a próxima internet, é o tema da edição do Meio deste sábado. Mas não só.

Um anúncio de emprego voltado para mulheres negras e indígenas provocou uma onda de ódio nas redes sociais e até ameaças de processo judicial. O Meio contará essa história com a opinião de especialistas sobre a importância das ações afirmativas e do investimento na diversidade.

E a covid-19 não prejudica somente os infectados, ela compromete todo o sistema de saúde. Uma das áreas mais afetadas é a de transplantes, tradicionalmente crítica pela desproporção entre receptores e doadores. Como está esse cenário no Brasil?

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— Os editores


Bolsonaro dá ao Centrão controle do Orçamento


A fim de garantir o apoio da base no ano eleitoral, o presidente Jair Bolsonaro (PL) entregou ao principal nome do Centrão no governo, o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, o controle total sobre o Orçamento da União. Um decreto determinou que a Casa Civil terá de dar aval a qualquer mudança feita nos gastos do governo em 2022. Com isso, dizem fontes no Planalto, cria-se um “filtro político” para garantir o cumprimento de acordos na distribuição de recursos e evita-se o corte de verbas que, embora determinado pela área econômica, provocou atrito entre os políticos da base aliada e a ministra da Secretaria de Governo, Flávia Arruda. Embora seja mais uma perda de poder do ministro Paulo Guedes, o Ministério da Economia tenta dar uma leitura positiva à mudança. Segundo o Painel, a tese é que Guedes deixará de ser o único alvo da ira dos políticos diante de inevitáveis cortes no Orçamento. (Folha)

A previsão de aumento salarial somente para PF, PRF e agentes penitenciários federais pode se desdobrar em reajustes para todo o funcionalismo do Executivo por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). Ministros da Corte disseram a interlocutores do Planalto que o reajuste deve desencadear uma avalanche de ações de outras carreiras que também estão sem reajuste há dois anos. É o pesadelo da equipe econômica, pois cada ponto percentual de aumento do funcionalismo tem impacto de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões nas despesas do governo. Bolsonaro já levantou a hipótese de não haver reajuste algum, o que pode lhe custar o apoio da área de segurança. (Globo)

Enquanto isso... O presidente investe num pacote de bondades para agradar PMs e bombeiros. A nova lei orgânica dessas corporações prevê a criação de novas patentes, a reintegração de PMs e bombeiros parlamentares que não se reelegerem e promoções mesmo para investigados e até réus. A aprovação é considerada prioridade para a bancada da bala. (Estadão)

Considerado um calcanhar de Aquiles do PT, a leniência – quando não o apoio explícito – a ditaduras e regimes autoritários de esquerda deve sair de cena durante a campanha eleitoral. O objetivo é duplo: não dar munição para adversários associarem o partido aos regimes da Venezuela e de Cuba, por exemplo, e evitar o desconforto de Geraldo Alckmin, potencial vice numa chapa com o ex-presidente Lula. (Folha)

Após a divulgação na quarta-feira da pesquisa Genial/Quaest, aliados de Sérgio Moro (Podemos) tentam convencer o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), a desistir da própria candidatura e ser vice do ex-ministro, revela Igor Gadelha. Caso houvesse transferência total das intenções de voto, os parcos 3% de Doria permitiram a Moro, estacionado em 9%, romper a barreira dos dois dígitos. (Metrópoles)

O Brasil ganhou um capítulo exclusivo no relatório anual da ONG Human Rights Watch, divulgado ontem. Segundo a entidade, o discurso do presidente Jair Bolsonaro “ameaçou pilares da democracia” em 2021, com a tentativa de desacreditar o sistema eleitoral e ameaça à independência do Judiciário. (g1)

Ontem foi a vez de o YouTube excluir um vídeo em que o pastor Silas Malafaia associa vacinação de crianças ao infanticídio. No início da semana o Twitter obrigou Malafaia a apagar o mesmo vídeo e outras dez postagens com informações falsas sobre a covid-19, além de impedi-lo de fazer publicações por 12 horas. (Poder360)


Bafo na nuca

Marcelo Martinez

Inflaçãoecovid

Está difícil acompanhar as notícias, não é? Anda tudo muito rápido, muito dinâmico e barulhento. O Meio te ajuda a separar o que é importante. Aos sábados, uma edição especial em que te oferecemos um contexto sobre grandes temas do momento. Assine o Premium e não perca tempo no seu dia.

Viver


Em Ouro Preto, uma das mais importantes cidades históricas do Brasil, um deslizamento de terra destruiu um casarão do século 19 e um depósito pertencentes à prefeitura. Erguido por uma família de comerciantes, o casarão era a primeira construção em estilo neocolonial da cidade. “É mais um pedaço da memória de Ouro Preto que se apaga em decorrência das chuvas”, lamentou a secretária municipal de Cultura e Turismo, Margareth Monteiro. O incidente só não virou tragédia porque, após avaliar o risco, o Corpo de Bombeiros retirou as pessoas da área 40 minutos antes do deslizamento. Ouro Preto é um dos 374 municípios mineiros em estado de emergência por conta das chuvas e, segundo o prefeito Angelo Oswaldo, tem diversas outras áreas de risco. (g1)

Meio em vídeo. Um casarão de importância histórica foi arrasado pela queda de uma encosta em Ouro Preto. É talvez a cidade mais preciosa do Brasil, e é preciso salvá-la. Em algum momento esse ciclo de destruição do que nos faz brasileiros tem de acabar. Vamos lembrar do que foi Ouro Preto, vamos lembrar da Inconfidência. Nesta edição do Ponto de Partida, a história de três homens imperfeitos que lá viveram mais de duzentos anos atrás. (YouTube)

O Ministério da Saúde pediu ontem formalmente à Anvisa a liberação no Brasil do autoteste de covid-19, que hoje é proibido. Na nota técnica enviada à agência, o ministério argumenta que o objetivo é que esses testes sirvam como triagem. Em caso de resultado positivo, o paciente deve procurar uma unidade de saúde ou teleatendimento para confirmar o diagnóstico. A tendência da Anvisa é liberar temporariamente o autoteste, diante da sobrecarga dos serviços de saúde e da falta de insumos para testes laboratoriais. Segundo entidades do setor de laboratórios, as empresas brasileiras podem produzir dez milhões de autotestes por mês. (Metrópoles)

A variante ômicron do sars-cov-2 vem se espalhando pelo Brasil numa velocidade nunca vista. De acordo com dados apurados pelo consórcio de veículos de comunicação, a média móvel de casos na quarta-feira ficou em 52.271 novas infecções, o que representou uma elevação inédita de 737% em relação ao período anterior. Esse número já é maior que os 46.536 registrados em 29 de julho de 2020, pico da primeira onda no país. A continuar nesse ritmo, é provável que a média ultrapasse o recorde da pandemia, 77.265 casos, de 24 de julho do ano passado. Lembrando que o apagão de dados do Ministério da Saúde ainda não foi totalmente desfeito. A situação não é diferente no resto do mundo, com a estimativa de a nova variante infectar metade da Europa nas próximas semanas. (UOL)

A análise pela Anvisa do pedido de liberação da CoronaVac para crianças e adolescentes entrou na fase final e está próxima de ser decidida, mas ainda sem data. Ontem, especialistas da agência se reuniram com representantes do Instituto Butantã, do laboratório chinês Sinovac, de entidades médicas e da equipe chilena que conduziu o estudo para liberação do imunizante no país. A área técnica deve enviar um relatório para ser votado pela diretoria, mas não há estimativa de data. (CNN Brasil)

Enquanto isso... De maioria conservadora, a Suprema Corte dos EUA bloqueou uma decisão do presidente Joe Biden que impunha a vacinação para o trabalho presencial em empresas com mais de cem funcionários. Embora tenham sido um dos primeiros países a iniciar a vacinação, os EUA enfrentam um disseminado movimento antivacina, que fez a imunização completa estacionar em 63% da população. (g1)

E o governo australiano revogou pela segunda vez o visto de entrada do tenista sérvio, que tentou entrar no país sem estar vacinado para participar do Australian Open, que começa no domingo. A Justiça local já havia anulado uma decisão semelhante no início da semana. (New York Times)

Um decreto do presidente Jair Bolsonaro permite a empresas destruírem cavernas na construção de empreendimentos de utilidade pública, com autorização de órgãos ambientais. Cavernas no Brasil são classificadas por grau de relevância, de baixo a máximo, e uma lei de 1990 proibia impactos irreversíveis nesse último grupo. Essa proteção foi retirada. Especialistas dizem que, por “utilidade pública” ser um conceito amplo, o decreto põe em risco esses ecossistemas. (Folha)

Processado na Justiça dos EUA pelo abuso sexual de uma menor em 2001, o príncipe Andrew, de 61 anos, perdeu ontem todos os títulos militares e o direito de ser chamado de “Sua Alteza”. Ele continua Duque de York, mas já não exerce funções oficiais na família real britânica. É mais um dissabor para Elizabeth II, que nunca escondeu a preferência por Andrew entre os quatro filhos. (UOL)

Cultura


Após dedicar os últimos anos à produção literária, Chico Buarque (Spotify) espera acionar novamente o modo cantor em 2022, conta Mauro Ferreira. Ele já está compondo material para um novo álbum de inéditas, o primeiro desde Caravanas (Spotify), de 2017. Se as condições sanitárias o permitirem, Chico pretende também sair em turnê, com participação da cantora Mônica Salmaso (Spotify). (g1)

Compelido por um oráculo e pela ambição desmedida da esposa, o nobre escocês Macbeth mata o rei e usurpa o trono, dando início a uma espiral de loucura e sangue que culminará na própria ruína. Ok, a trama é mais que conhecida e já foi encenada/filmada um sem-número de vezes. Mas os assinantes da Apple TV+ vão ter a chance de ver o mais famoso regicida de Shakespeare na pele do astro Denzel Washington. A Tragédia de Macbeth estreia hoje e traz ainda a grande Frances McDormand, que coleciona Oscars como nós colecionamos boletos, como Lady Macbeth, um dos mais complexos papéis escritos pelo Bardo. (Folha)

Cancelado nos últimos dois anos, o Coachella, um dos mais importantes festivais de música pop do mundo, está confirmado para abril, na Califórnia. A programação completa foi anunciada na noite de quarta-feira e conta com duas presenças brasileiras, Anitta e Pablo Vittar. Harry Stilles, Billie Eilish e Ye (o rapper anteriormente conhecido como Kayne West) são as atrações principais. (g1)

Confira as dicas da agenda cultural

Cecília Beraba lança hoje seu segundo disco, Só o Amor Pode Matar o Medo (Spotify), encerrando o ciclo de homenagens pelos 80 anos de seu parceiro musical, o lendário cantor, compositor e escritor Jorge Mautner. Se o trabalho anterior, Eterno Meio Dia, era focado nas canções compostas pela dupla, agora Cecília revisita o repertório clássico da longa carreira de Mautner, que canta na faixa Salto no Escuro.

Também hoje Juliana Martins estreia no Rio o monólogo O Prazer é Todo Nosso, inspirado nas aventuras sexuais da atriz e de suas amigas, todas na faixa dos 40 anos. Dirigida por Bel Kutner, a comédia fica até o dia 11 de fevereiro no Teatro Petra Gold.

No Recife, começa no domingo a programação gratuita de férias da Oficina Brennand, com atividades para todas as faixas etárias. A primeira atração é a Oficina Caboclinho, que apresenta os elementos de uma das mais tradicionais danças pernambucanas. É necessário inscrição prévia.

Clique aqui para ver a agenda completa.

Cotidiano Digital


Os Estados Unidos começaram a emitir avisos ontem sobre os potenciais impactos do novo serviço sem fio 5G em aeronaves. Os avisos foram dados pela Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA), que tem conversado com fabricantes de aviões, companhias aéreas e operadoras de telefonia móvel para reduzir o impacto do novo serviço, cuja previsão de início da operação é 19 de janeiro. A instituição havia alertado que uma possível interferência pode afetar instrumentos sensíveis de aviões, como altímetros. Mais de 300 avisos foram postados, muitos relacionados aos principais aeroportos e hospitais onde são usados helicópteros médicos. (Folha)

A Microsoft anunciou o fim da produção dos consoles Xbox One em todo o mundo. A medida vale para todos os modelos de geração passada e faz parte do novo plano da empresa que tem como foco a linha Series X/S. O Xbox One chegou às lojas em novembro de 2013. (The Verge)

E o Procon de Fortaleza revelou duas multas milionárias para a Apple e Samsung. Juntas, as empresas devem pagar R$ 25,9 milhões por venderem smartphones sem o carregador. (TecMundo)





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