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29 de abril de 2022
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Prezadas leitoras, caros leitores —

Um jovem de 18 anos morreu. Com um tiro no peito. Ele tinha um filho de quatro meses. E se chamava Jonatan. É provável que, envolvidos na sequência de absurdos que Brasília nos oferece, ou absorvidos pela preocupação com a inflação, talvez distraídos com a final do Big Brother, muitos de nós tenhamos passado batidos por essa notícia. Mas quem mora nas favelas e periferias brasileiras e é negro vive a rotina da violência — neste caso, a policial. O medo de ser assassinado é manente, e não há distração possível dessa realidade.

Na Edição de Sábado, traremos o depoimento exclusivo de Diego Aguiar, morador do Jacarezinho, na Zona Norte do Rio, que testemunhou o assassinato de Jonatan. “E aí, Jo, tranquilo?” — os jovens se cumprimentaram no Pontilhão instantes antes de Jonatan ser atingido pelo tiro dado por um policial militar. O roteiro que se seguiu foi o costumeiro: as forças policiais passaram a desqualificar Jonatan, como se o fato de ele fumar maconha justificasse a execução, e a família, dilacerada, suplicando por justiça.

Diego fez vídeos com seu celular logo após o disparo. Os vídeos viralizaram e ele passou a ser ameaçado. Ao Meio, ele conta o que viu e o que é ser criado em um ambiente de temor incessante, mas também de muita luta.

Mas não é só isso. Também vamos examinar as contradições do bilionário Elon Musk e o que elas podem indicar sobre o futuro do Twitter, a mais politizada das plataformas sociais. E ainda buscar compreender a “fadiga do streaming”, essa vontade doida que está dando de cancelar alguns dos vários serviços contratados nos últimos tempos, e por que ela acontece.

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— Os editores


Bolsonaro trabalha para desarticular 3a via


Por trás da prevista saída do União Brasil da aliança com MDB, PSDB e Cidadania há, em parte, a mão pesada do Palácio do Planalto, em particular do ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira. A ala governista no UB tem recebido recados de que vão perder os cargos que controlam se o presidente do partido, Luciano Bivar, não abandonar o grupo. O líder do partido na Câmara, Elmar Nascimento (BA), pode perder o controle sobre a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), por exemplo. Nascimento, por isso, é o principal articulador da pré-candidatura de Bivar. Ontem, um evento dos grupos Derrubando Muros e Roda Democrática reuniu líderes de MDB, PSDB e Cidadania, e mostrou os descompassos internos. Dentre o público presente em São Paulo, a emedebista Simone Tebet foi aplaudida e o tucano João Doria, criticado. (Estadão)

O clima no MDB e no PSDB em relação a Bivar é o pior possível, conta Thaís Oyama. Caciques nos dois partidos se referem a ele como “traidor”. Além da pressão do Planalto, pesam na debandada do UB disputas regionais, em particular na Bahia, e a própria ambição de Bivar, lançado candidato pela bancada, mesmo que seja para liberar os filiados mais adiante. (UOL)

Mas o entorno do presidente Jair Bolsonaro (PL) não é o único a sabotar a terceira via. O ex-presidente Lula (PT) vem trabalhando para que uma ala do MDB se mobilize contra a pré-candidatura da senadora Simone Tebet (MS). Ele se reuniu novamente ontem com os senadores emedebistas Eduardo Braga (AM), Renan Calheiros (AL) e Marcelo Castro (PI), entusiastas de sua candidatura. (Globo)

O Meio errou. Ao contrário do que publicamos na nota de abertura da edição de ontem, o presidente Jair Bolsonaro não falou em “suspensão” das eleições durante evento no Palácio do Planalto. Em vez disso, ele se referiu à “suspeição” das eleições. Um erro de transcrição no jornal Correio Braziliense, corrigido depois de nossa newsletter ser enviada, nos tirou do rumo. Pedimos desculpas a nossos assinantes e estamos melhorando nossos processos para que erros como esse não se repitam.

Um dia depois de o presidente Jair Bolsonaro (PL) lançar mais uma vez dúvidas sobre o sistema eleitoral brasileiro, os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), saíram e defesa da Justiça Eleitoral. O senador disse que levantar dúvidas sobre as eleições “não tem cabimento” e que “o TSE está empenhado em dar toda a transparência ao processo”. Já Lira afirmou que o processo eleitoral brasileiro é uma referência. “Pensar diferente é colocar em dúvida a legitimidade de todos nós, eleitos”, afirmou. (Poder360)

O ex-presidente Lula (PT) recebeu ontem o apoio formal da Rede Sustentabilidade a sua candidatura, mas criou uma saia-justa ao reclamar da ausência da fundadora do partido, Marina Silva, que foi sua ministra do Meio Ambiente entre 2003 e 2008. “Eu, na verdade, esperava que Marina estivesse aqui. Minha relação com ela é muito antiga, é muito grande. Às vezes, ela demonstra momentos de raiva”, declarou. Marina foi voto vencido na decisão sobre a aliança com o PT, e a Rede aprovou uma resolução liberando filiados a apoiarem Ciro Gomes (PDT). (Congresso em Foco)

Durante o evento, Lula comemorou a decisão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, que concluiu ter havido cerceamento de suas liberdades e parcialidade do então juiz Sérgio Moro nos julgamentos do ex-presidente na Lava-Jato. “Hoje eu estou alegre. Esta decisão da ONU, para mim, foi uma lavagem de alma extraordinária”, disse o petista. (g1)

Quem não estava nada feliz era Moro. Segundo o ex-ministro, a decisão do STF de anular os processos contra Lula influenciou a conclusão do Conselho da ONU. Em junho do ano passado, a maioria do Supremo conclui que Moro foi parcial em sua atuação nos processos contra Lula, o que o ex-juiz classifica como “erro judiciário”. (UOL)

Ciro Gomes (PDT) perdeu as estribeiras ao ser hostilizado por bolsonaristas ontem durante evento do setor de agronegócio em Ribeirão Preto (SP). Ele reagiu às provocações com frases como “Mito? Ele roubou tua mãe ou comeu ela?” e “Sem educação, babaca. Vai tomar no teu cu”. Em dado momento, ele empurra um militante que tentava filmá-lo (vídeo). (Metrópoles)

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), procurou na noite de quarta-feira ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir que o deputado Daniel Silveira (PTB-RJ) não assumirá a vaga de titular na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), considerada a mais importante da Casa. Condenado a quase nove anos de prisão pelo Supremo por ataques à democracia e por pregar agressões aos ministros da Corte, Silveira recebeu um indulto do presidente Jair Bolsonaro (PL) e foi indicado pelo partido para a comissão. (CNN)

Lira, aparentemente, não combinou com o PTB. O líder do partido na Câmara, Paulo Bengston (BA), disse que a indicação de Silveira para a CCJ está mantida. O partido vem sendo pressionado a voltar atrás, já que a indicação foi vista como uma afronta ao STF, num momento em que bombeiros no Judiciário e no Legislativo tentam resolver a crise. (Metrópoles)

Malu Gaspar: “A crise com o Planalto está mexendo com os ânimos no Supremo a ponto de fazer aflorar intrigas paralelas e velhas críticas. O alvo dos últimos dias tem sido o ministro Luiz Fux, presidente da Corte. Pelo menos três dos onze ministros reclamaram que Fux não ‘exerce liderança’ para acalmar os ânimos entre os poderes e não ‘defende a instituição’ diante dos ataques do Planalto, do Congresso e das Forças Armadas.” (Globo)

Hoje é dia de estreia no Meio. Apresentado por Mariliz Pereira Jorge, De Tédio a Gente Não Morre é nosso mais novo programa — as principais notícias da semana no Brasil e no mundo em análises e comentários críticos, mas com muito bom humor e leveza, que são marca registrada da jornalista e roteirista. Neste primeiro episódio, Twitter, assédio, golpe e Exu no Carnaval. (YouTube)

Aliás... Coincidência, o primeiro programa do Meio em vídeo chega a sua edição de número 200. Fizemos nele algo diferente. Um react. Pedro Doria reage ao que lhe escrevem no Twitter. A equipe selecionou, ele leu os comentários de surpresa para responder o que lhe viesse à cabeça. (YouTube)


A Rússia bombardeou ontem a capital da Ucrânia, Kiev, durante a visita do secretário-geral da ONU, Antonio Guterrez. Segundo o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenski, o ataque “diz muito sobre a verdadeira atitude da Rússia em relação aos organismos internacionais e os esforços de seus líderes para humilhar as Nações Unidas”. (CNN)


“Um bilionário entra em uma loja de pássaros...”

Marcelo Martinez

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Cultura


Confira os destaques da agenda cultural.

Lia de Itamaracá apresenta o show do disco Ciranda sem Fim hoje com a participação de Alessandra Leão e DJ Dolores. Transmitido pelo Itaú Cultural no YouTube, o evento integra a programação da Ocupação Lia de Itamaracá, em cartaz na sede do instituto em São Paulo.

A cantora carioca Maranda lança hoje nas plataformas de streaming o single Corpo de Lata, que mistura influências africanas e espanholas com o som do grupo americano The Doors.

Ainda hoje, o alemão Alexander Liebreich rege a Osesp, coro e solistas convidados em concerto com a Missa da Coroação, de Mozart, e a 2ª Sinfonia de Brahms.

Para ver a agenda completa, clique aqui, e, para outras dicas de cultura, assine a newsletter da Bravo!.

Estrela da série Bridgerton, da Netflix, Golda Rosheuvel é reconhecida internacionalmente pelo talento e pela militância em favor dos direitos dos homossexuais. Lésbica assumida, a intérprete da rainha Charlotte revelou em uma entrevista que, no começo de carreira, foi aconselhada por uma diretora – supreendentemente, também lésbica – a esconder a própria orientação sexual para não “arruinar a carreira como atriz”. “Prefiro perder um emprego do que não ser fiel a quem sou. Prefiro não trabalhar em uma indústria que não me aceita”, rebateu. (Folha)

Viver


O STF derrubou ontem três decretos ambientais do presidente Jair Bolsonaro considerados inconstitucionais. O primeiro, contra o qual já havia maioria formada na terça-feira, excluía entidades da sociedade civil do conselho deliberativo do Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA). O segundo tirava do Conselho Nacional da Amazônia Legal os governadores da região, enquanto o terceiro extinguia o Comitê Orientador do Fundo Amazônia. O ministros também invalidaram, por unanimidade, as licenças ambientais automáticas decretadas por Bolsonaro. (Metrópoles)

A ação do Supremo tem razão de ser. O Brasil foi responsável por 40% da perda de florestas nativas em todo o mundo no ano passado, segundo levantamento do Global Forest Watch, plataforma de monitoramento de florestas desenvolvida pela Universidade de Maryland, nos EUA. A destruição atingiu 1,5 milhão de hectares nas chamadas florestas tropicais primárias, especialmente na Região Norte. (g1)

A cada dois dias um brasileiro morre vítima de intoxicação por agrotóxicos, e cerca de 20% dessas vítimas são crianças e jovens até 19 anos. Os dados são de um estudo publicado ontem pela rede de ONGs Friends of the Earth Europe. O documento mapeia a relação de empresas químicas europeias com o lobby do agronegócio brasileiro, que fez o uso de agrotóxicos no Brasil crescer seis vezes em 20 anos.  (Deutsche Welle Brasil)

A Polícia Federal divulgou uma nota conjunta com a Funai e a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) dizendo que, até o momento, não encontrou provas que confirmem o estupro e morte de uma menina ianomâmi de 12 anos, que teria sido atacada na comunidade Aracaçá, em Roraima. Entretanto, diz a nota, as equipes seguem investigando a denúncia. A ministra do STF Cármen Lúcia cobrou ontem rigor nas investigações do que classificou como “perversidade” e “ferocidade desumana”. (g1)

As internações e mortes por covid-19 no estado de São Paulo subiram na semana anterior ao carnaval fora de época, conta Mônica Bergamo. A média de hospitalizações vinha em queda desde o pico em janeiro, mas teve alta de 6% nos sete dias que antecederam a festa. As mortes no estado também tiveram elevação da média no período, crescendo 8,5%. Houve recuo de 16,7% no número de casos, mas esse resultado depende de testagem, enquanto as internações são consideradas um dado mais seguro para avaliar a evolução da doença. (Folha)

Cotidiano Digital


Em um movimento liderado pelo governo dos Estados Unidos, outros 55 países lançaram nesta quinta-feira a chamada “Declaração para o Futuro da Internet”. Os países se comprometem a reforçar a democracia online, proteger dados pessoais de usuários, realizar campanhas contra a desinformação e promover o acesso à internet. Entre os países que apoiam a iniciativa estão a Alemanha, França, Japão e Argentina. O jornal americano “The New York Times” destacou o endosso da Grã-Bretanha e da Comissão Europeia, que atuam de forma expressiva na regulação de gigantes de tecnologia. Entretanto, Brasil e Índia, “dois dos mais importantes mercados de tecnologia do mundo”, não participam da ação. (The New York Times)

E a Snap, dona da rede social Snapchat, lançou ontem uma “câmera voadora”, uma espécie de mini drone chamado Pixy. O dispositivo pode voar alguns metros para tirar fotos e fazer vídeos antes de pousar na mão dos usuários. A câmera cabe no bolso e os vídeos e imagens capturados são salvos diretamente na rede social. Está disponível nos Estados Unidos e França por US$ 230 (cerca de R$ 1.100). (g1)

Meio em vídeo. Elon Musk, dono da Tesla e da SpaceX, comprou o Twitter e deixou a internet e os usuários da plataforma se perguntando qual deve ser o futuro da rede social. Entre as promessas de Musk estão a abertura do algoritmo, o fim dos robôs (usuários bots) e maior liberdade de expressão na plataforma. Pedro Doria e Cora Rónai comentam. (YouTube)

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