Edição de sábado: O próprio termo
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Os parentes e amigos de Patrícia Kisser que chegavam ao seu velório, em julho de 2022, queriam saber se ela estava vestindo meias. A pergunta era referência a uma piada feita pela própria Patrícia, que sofria de frio nos pés e pedia para que ficassem aquecidos, mesmo após a morte. Imagine passar a eternidade com os pés frios? A dor estava lá, mas as pessoas de Patrícia talvez tivessem uma certeza: ela estava em paz com a morte, por mais que o processo em si não tivesse sido pacífico. O viúvo dela, o guitarrista Andreas Kisser, mundialmente famoso por décadas no Sepultura, lembrou da brincadeira em entrevista ao Meio sobre um assunto muito diferente dos que costuma conversar com jornalistas: a discussão no Brasil sobre morte assistida. Patrícia morreu de um câncer no cólon, bastante agressivo, cerca de um ano e meio depois de descobrir a doença.
Embora ela encarasse a morte com leveza, seus últimos meses foram muito duros. Patrícia passou por pelo menos três cirurgias altamente invasivas, além de diversas sessões de quimioterapia. “Foram várias idas ao hospital, sempre com muita dor”, conta Andreas. “Nas últimas semanas, ela ia e vinha por causa da morfina, a situação era irreversível, mas estava consciente. E eu comecei a me perguntar por que não havia eutanásia no Brasil”, lembra o músico.
“Eu não sabia que tinha o Hospice Movement (clínicas de cuidado paliativo), eu não sabia que podia levá-la para a Suíça, eu não sabia um monte de coisas. E olha, eu estudei, eu viajei, eu conheço mais de 80 países, falo três línguas, mas não sabia”, conta Kisser. “Tínhamos um bom plano de saúde, numa capital como São Paulo, mas pouca informação. Eu percebi que somos muito mal-educados em relação à morte”, completa. Kisser atribui a essa falta de informação o fato de nunca ter conversado com a mulher sobre essa possibilidade. Mas diz que gostaria que ela tivesse tido o direito de escolher.
Morrer no Brasil
No Brasil, a morte assistida é criminalizada no artigo 122 do Código Penal, que considera crime “induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou a praticar automutilação ou prestar-lhe auxílio material para que o faça”. A pena inicial varia de dois a seis anos de prisão, mas pode ser duplicada se o crime for praticado “por motivo egoístico”, se a vítima for menor ou tiver qualquer tipo de vulnerabilidade. Já a eutanásia é criminalizada no artigo 121, equiparada ao homicídio, com pena de reclusão de seis a 20 anos, ainda que haja pedido expresso do paciente e que este esteja em estado terminal e/ou em sofrimento intenso.
Hoje há apenas 16 países em que a morte assistida é permitida. Nesta lista estão os que legalizaram suicídio assistido ou a eutanásia. No primeiro caso, a morte é provocada pelo próprio paciente, com uma medicação prescrita por um médico. No segundo, a morte é provocada pelo médico, que aplica a medicação. Em algumas nações, só um determinado número de estados autoriza uma ou alguma destas práticas. Apenas a Suíça recebe estrangeiros para a morte assistida.
Foi para lá que viajou o escritor Antônio Cícero em 2024. Aos amigos, enviou uma carta em que contava estar prestes a se submeter à eutanásia, porque sua vida com a doença de Alzheimer havia se tornado “insuportável”. “Não consigo mais escrever bons poemas nem bons ensaios de filosofia. Não consigo me concentrar nem mesmo para ler, que era a coisa de que eu mais gostava no mundo. Apesar de tudo isso, ainda estou lúcido o bastante para reconhecer minha terrível situação”, diz o texto, que tem ainda uma linda declaração de amor aos amigos e termina com uma sentença: “Espero ter vivido com dignidade e espero morrer com dignidade”.
O Código Penal Suíço, que entrou em vigor em 1942, pune quem ajuda alguém a se suicidar por “motivos egoístas”, mas não a assistência altruísta. Ou seja, não existe uma lei federal específica que regule o suicídio assistido, mas o Código Penal não o proíbe. Na Alemanha, o direito à morte assistida foi restabelecido em 2020, depois de 150 anos de proibição, quando o Tribunal Constitucional Federal concluiu que a proibição dos serviços de suicídio assistido, então prevista em lei, violava a Lei Fundamental e, portanto, era nula. Na Holanda e na Bélgica a morte assistida é permitida desde 2002. Em Luxemburgo, desde 2009. Mais recentemente, em 2021, a Espanha legalizou a prática, que é permitida ainda no Canadá, desde 2015, em 13 estados dos EUA, sete australianos, na Nova Zelândia e em Taiwan. Entre os nossos vizinhos da América do Sul, a Colômbia legalizou a morte assistida em 1997, para pessoas com doenças terminais e que possuam capacidade de tomada de decisão. A lei foi revista em 2017 para incluir menores de idade. O Equador decidiu em 2024 que a morte assistida é constitucional. E no Uruguai, o Senado aprovou no ano passado o projeto de lei “Morte Digna”, que regulamenta a morte assistida.
Para começo de conversa
Os meses de sofrimento da companheira de uma vida inteira fizeram com que Kisser se tornasse um ativista. Ele integra a associação civil Eu Decido, que se propõe a trazer o tema da morte assistida à luz no Brasil. “Nós somos a primeira associação brasileira que tem por objetivo reivindicar o direito à morte assistida”, afirma Luciana Dadalto, advogada, pesquisadora em autonomia e dignidade no fim da vida e presidente da Eu Decido. Registrada em maio do ano passado, a associação tem 13 fundadores e conta hoje com cerca de 410 pessoas associadas. “A gente surge do entendimento de que existe uma lacuna nesse tema e que a gente precisa parar de conversar sobre isso em espaços fechados, privados e trazer essa pauta para a sociedade brasileira”, define Dadalto.
Para a advogada, “levar a pauta para a sociedade brasileira” é o primeiro passo para pensar, num futuro ainda distante, na legalização da morte assistida. “Será um caminho pedregoso, cheio de buracos, mas essa não é uma conversa imediata”, avalia. “Sabemos que estamos num momento muito conservador da sociedade, do Parlamento, dos conselhos de classe. Mas entendemos que não existe a hora certa para defender direitos individuais e que, na verdade, nós já estamos atrasados nesse debate”, completa.
E quem é contra?
Mesmo nos países em que é legalizada, a morte assistida nem sempre é um consenso. No Canadá, a prática vem gerando preocupação. Lá, as “mortes com assistência médica” (MAID na sigla em inglês para Medical Assistance in Dying) representam hoje uma a cada 20. O número é maior que o total somado de mortes por Alzheimer e diabetes e supera o de países onde a morte assistida foi legalizada bem antes de 2016, quando o parlamento canadense aprovou a prática da eutanásia.
O país foi usado como exemplo negativo pela médica especialista em cuidados paliativos Ana Claudia Quintana Arantes em entrevista ao Meio. Embora seja contrária à legalização da prática no Brasil, ela diz não se tratar de qualquer razão pessoal ou religiosa, mas de um temor de que a discussão seja precipitada. Arantes lamenta a demora da aplicação no Brasil da Política Nacional de Cuidados Paliativos, firmada em 2024, e defende que, antes de discutir a morte assistida, esses cuidados devem ser oferecidos amplamente. “Existe uma lentidão cultural de compreender a importância do cuidado paliativo como parte do tratamento da doença, seja ela qual for, numa fase em que o sofrimento se sobrepõe ao tratamento e controle”, diz.
Antes de continuar é preciso esclarecer que a Eu Decido também defende o acesso dos pacientes aos cuidados paliativos. E explicar o conceito a quem porventura não conheça, já que mesmo após a aprovação da Política Nacional, apenas 14 das 1.321 equipes previstas no documento atuam no Sistema Único de Saúde (SUS). Cuidados paliativos são uma abordagem que visa melhorar a qualidade de vida de pacientes e familiares diante de doenças graves, progressivas ou que ameaçam a vida, por meio da prevenção e do alívio do sofrimento, com identificação precoce, avaliação correta e tratamento da dor e de outros problemas físicos, psicossociais e espirituais.
A definição da Organização Mundial da Saúde prevê ferramentas para o cuidado paliativo de que nem sempre a rede pública — e por muitas vezes nem a privada — dispõe. A “identificação precoce” é o primeiro desafio, já que alguns exames têm uma espera de meses para a realização. Esse é um dos pontos apontados por Arantes como incompatíveis com a discussão sobre eutanásia.
Ainda com base na experiência do Canadá, a especialista diz temer a falta de regulação no Brasil para empresas privadas que possam vir a oferecer o serviço. Lá, o MAID começou como uma prática limitada a pacientes gravemente doentes que já estavam no fim da vida. A lei foi então ampliada para incluir pessoas que sofriam de condições médicas graves, mas que não enfrentavam morte iminente. No ano que vem, será estendida a pacientes cuja única condição médica é uma doença mental. Isso significa que alguém que sofre de depressão grave ou ansiedade incapacitante, por exemplo, poderá optar pelo procedimento. O Parlamento também recomendou conceder acesso a menores. Com a ampliação do público, a demanda por eutanásia começou a ultrapassar a capacidade das clínicas de oferecer o procedimento.
Arantes aponta que, no Brasil, a desigualdade social pode representar um dilema ético ainda bem maior que o do Canadá: se existem pacientes que aguardam longos períodos por um diagnóstico, consequentemente há mais chances de descobrirem uma doença em estágio avançado e não terem acesso a cuidados paliativos. O sofrimento deles poderá ser significativamente maior do que o daqueles que podem pagar por um diagnóstico rápido, e — mesmo em caso de descoberta de uma doença avançada — têm acesso a cuidados paliativos. Neste caso, os mais pobres, segundo a especialista, estariam sempre mais elegíveis à morte assistida. “Eu não dou sermão moral, não tenho nenhum tipo de questão religiosa a respeito disso. Mas, como cidadã brasileira, acho inadmissível levantar a bandeira da morte assistida em um país onde há lugares em que não se sabe nem prescrever morfina direito”, defende.
A especialista também questiona a capacidade brasileira de regulação de um serviço que, a julgar pelo exemplo do Canadá, pode ter grande demanda. “Pense nisso caindo no colo de operadoras de saúde que estão falindo. Você pega um paciente que tem câncer avançado, mas que viveria mais dez anos com tratamento adequado, o que tem um custo, e diz ‘que sentido tem essa vida desse jeito, cheia de tubos?’ Vai ser super-higiênico, supereconômico”. A médica menciona ainda um possível impacto sobre populações vulneráveis, como a carcerária, por exemplo. Ela acredita que detentos com hipertensão grave, diabetes, câncer ou depressão severa, dadas as condições em que vivem, podem estar mais inclinados a optar pela morte assistida. “Se você pegar o discurso correto, até a bancada evangélica vai ser a favor”, declara.
Os pontos de Arantes — a universalização dos cuidados paliativos, a necessidade de uma regulação séria e criteriosa e a observação das especificidades brasileiras — não parecem estar fora do radar da Eu Decido. Ao ser questionada sobre redação de propostas ou interlocução política para tratar do tema, Luciana Dadalto explica que isso deve demorar para acontecer. “A gente entende que a legislação é produto de um percurso que não é rápido na sociedade. Então, vai chegar a hora de a gente pensar numa proposta de lei, fazer uma interlocução mais efetiva junto ao Poder Legislativo. Mas este não é o momento”, defende. “Este é um momento de interlocução com a sociedade civil. É uma conversa sobre o tema. Porque a lei precisa vir de um anseio social. Que lei vai ser essa? Que requisitos serão trazidos pela lei? Isso faz parte de um amadurecimento social.”
A Morte
No segundo semestre de 2024, o ensaísta Francisco Bosco recebeu alguns contatos do amigo Antônio Cícero, que perguntava da vida e propunha marcar um encontro. Por causa da agenda cheia, o compromisso era sempre remarcado. “Eu fiquei adiando o nosso encontro, jamais imaginei que não teria direito a esse adiamento. Tenho para mim que o que ele queria fazer era o que ele fez com outros amigos dele, um último encontro. Mas para nenhum desses amigos ele avisou que estava prestes a morrer”, conta.
É um grande clichê, mas, talvez, o fato de desconsiderarmos tão frequentemente a possibilidade de não voltar a ver alguém seja parte da dificuldade de conversar sobre morte assistida e até sobre cuidados paliativos. É, acima de tudo, a dificuldade de admitir um fim. “Uma coisa é o que se poderia chamar de ‘consciência velada da morte’, que é ‘eu sei que vou morrer, mas vivo sob o regime da vida’. E tento evitar essa abertura que às vezes se coloca diante de nós da consciência aguda da morte, né? Porque ela é vertiginosa.” Essa consciência, ele explica, leva à angústia tanto na psicanálise quanto na filosofia. A angústia está ligada à finitude.
“Nós somos seres para a morte. Nós temos consciência da morte. E essa consciência da morte gera diferentes estratégias. A mais comum é a do esquecimento. Portanto, a decisão do Cícero caiu para mim sobretudo como uma decisão de uma extraordinária coragem filosófica. Não há em mim nenhum conflito quanto a isso”, afirma Bosco. “Só a dor de perder uma pessoa que eu amava. Muito agravada pela minha atitude de não o ter encontrado”, completa.
Que o início da discussão sobre uma morte digna sirva para nos lembrar da importância de uma vida bem vivida.
Os Rs da questão
Um relatório da ONU de 2024 mostra que a produção de lixo eletrônico pela humanidade está aumentando cinco vezes mais rapidamente do que as estimativas feitas com base em dados sobre a reciclagem. De acordo com o estudo, foram produzidas 62 milhões de toneladas de resíduos eletrônicos em 2022, sendo recicladas apenas 14 milhões de toneladas, ou 22,3%, com estimativa de que esse total caia para 20% até 2030.
Enquanto as grandes potências correm atrás de metais raros para fabricar chips e baterias, uma alternativa que surge no radar é a “mineração reversa”, na qual não se garimpam terras em busca desses materiais, mas reciclam-se produtos eletrônicos descartados. Startups e grandes empresas do setor têm colocado a mão na massa (ou nas placas) para reaproveitar esses componentes essenciais na indústria tecnológica, colaborando com o meio ambiente e fortalecendo a economia circular, além de perseguir o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 12 da ONU, que trata do consumo e produção responsáveis.
Uma dessas baterias feitas a partir de metais raros está nos carros elétricos. Grande aposta para a descarbonização do transporte, o carro elétrico ganha cada vez mais espaço nas ruas e na preferência dos consumidores brasileiros, tendo o número de licenciamentos aumentado mais de cem vezes apenas entre 2020 e 2024, segundo o Balanço Energético Nacional 2025, divulgado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) junto com o Ministério de Minas e Energia. Com a chegada de novas montadoras ao país, a produção desses veículos pode dobrar o número de empregos no Brasil até 2050. Uma projeção da Strategy&, consultoria estratégica da PwC Brasil, aponta que as ruas brasileiras poderão ter mais de 35 milhões de carros eletrificados até 2040, gerando um consumo de oito bilhões a menos de gasolina e seis bilhões a menos de diesel.
Mas, apesar do crescimento dessa modalidade de carros, menos de 7% dos veículos licenciados em 2024 foram elétricos, segundo estudo da Thymos Energia. Um dos muitos fatores apontados para o entrave diz respeito à falta de produção nacional das baterias. Feitas de íon-lítio, assim como as dos telefones celulares ou computadores, elas são produzidas a partir de minerais estratégicos para melhorar a capacidade de armazenamento de energia e o desempenho do veículo. Enquanto o lítio é chave na construção de baterias por sua leveza e capacidade energética, o cobalto é usado para melhorar a densidade de energia, estabilidade e vida útil, com o manganês adicionando estabilidade térmica. Níquel, alumínio e grafite também podem fazer parte da composição.
Os R’s-chaves
Para cumprir seu papel na descarbonização dos carros elétricos, também é preciso olhar para a cadeia produtiva dessas baterias, feitas com extração de metais, uma atividade por si só poluente e cara. O descarte desses dispositivos gera degradação ambiental, além de riscos à segurança física e saúde das pessoas em seu entorno. Reaproveitá-las ou reciclá-las, extraindo os minerais essenciais para a fabricação de produtos novos, torna-se não apenas necessário, mas uma boa saída econômica. Para isso, as montadoras têm contratado startups para dar um fim às baterias já usadas e um novo recomeço aos metais que as tornarão novas em folha. Um processo também conhecido como mineração urbana.
Uma dessas empresas especializadas é a Energy Source, criada em 2016 em São João da Boa Vista (SP), tendo como clientes companhias como Renault, BMW e Toyota. O projeto é fruto de uma parceria com o grupo de pesquisa Center for Advanced and Sustainable Technologies (Cast), da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de São João da Boa Vista para desenvolver uma tecnologia nova que reciclasse as baterias. Graças à tecnologia patenteada, pode-se recuperar pelo menos 93% dos materiais contidos nas de lítio, podendo ser devolvidos aos ciclos de construção de uma nova ou seguir para mercados secundários, como os de pigmentos e fertilizantes. O CEO da Energy Source, David Noronha, explica que os outros 7% não recuperados são cola e plásticos ou pequenas perdas no processo de maquinário. Esse material é destinado ao coprocessamento, onde empresas autorizadas o transformam em outros produtos, como energia. “Aqui, nada vai para aterros”, garante.
A empresa recebeu o Prêmio de Economia Circular 2025 no Fórum Mundial de Economia Circular (WECF) por seu trabalho baseado em 4 R’s: logística reversa, reparo, reuso e reciclagem de baterias de lítio, ao se tornar a primeira no mundo a oferecer essas opções combinadas de serviço.
Mineração urbana
As baterias de carros elétricos atuais têm um peso médio de cerca de 450 kg, mas isso varia de acordo com marca, modelo e ano de fabricação. A de um Tesla, por exemplo, pode chegar a 830 kg. Atualmente elas têm uma garantia de 160 mil quilômetros e oito anos. Mas têm centenas de células internas que podem manter sua capacidade por 160 mil a 320 mil quilômetros, podendo durar mais de uma década. Elas também têm uma segunda vida útil, mantendo 70% da sua capacidade original, o que permite que sejam usadas em outras atividades, como alimentar desde painéis solares residenciais até fábricas.
Esse trabalho de mineração urbana vale a pena, de acordo com o engenheiro ambiental José Augusto de Oliveira, coordenador do Cast da Unesp. Em um artigo da Revista Pesquisa FAPESP, ele explica que o gasto de água para a reciclagem é menos poluente e demanda menos energia do que a mineração tradicional. “Nos processos de reciclagem por hidrometalurgia, utiliza-se em torno de cinco litros de água para a obtenção de 100 gramas de sal de lítio. Na mineração, o consumo de água pode variar de 50 a 90 litros para se obter 100 gramas do material”, explica.
David Noronha afirma que cada tonelada de bateria reciclada equivale a quatro toneladas de carbono que deixam de ser emitidas. Também reduz a necessidade de explorar a terra em busca de novos metais, o que causa mais poluição e degradação ambiental. “Em vez de a gente explodir a rocha e tirar o minério, a gente recupera o resíduo e volta esse material [para a indústria].”
Do mouse ao celular
Mas nem só de baterias de carro se faz a roda da economia circular no setor tecnológico. Com 2,4 milhões de toneladas de resíduos de equipamentos eletroeletrônicos gerados por ano, o Brasil é o quinto maior produtor de lixo eletrônico no mundo, segundo a ONU, mas apenas 3% desse material é descartado de maneira correta para serem reaproveitados. São produtos que vão parar em lixões e aterros sanitários, quando poderiam ser recolhidos, reciclados e recolocados no mercado industrial na produção de novos equipamentos.
Empresas como a Recicli fazem esse trabalho, reaproveitando toda a linha marrom, como monitores, telas de notebooks e TVs de LED e plasma; e a linha verde, ou seja, todos os periféricos de computadores, incluindo teclado, mouse, celulares, tablets, estabilizadores e impressoras. A companhia recebe o material de empresas que precisam realizar o descarte correto de seus dispositivos quebrados ou obsoletos, de acordo com o Decreto nº 10.240, que regulamenta a logística reversa de produtos eletroeletrônicos e seus componentes de uso doméstico no Brasil, a fim de garantir que esses resíduos tenham uma destinação final ambientalmente adequada, evitando a poluição.
Com tecnologia patenteada, a companhia afirma conseguir recuperar metais nobres com eficácia superior a 85% sem gerar poluentes ou contaminantes. Segundo o CEO Flávio Costa, a Recicli recebe uma média de seis toneladas de resíduos mensalmente, que são processados e redirecionados para a indústria de plástico, metalúrgica e siderúrgicas, que têm necessidade de metais específicos no seu processo produtivo. “A gente cria a circularidade desses resíduos. Em vez de irem para lixões, misturados ao resíduo orgânico, reintroduzimos esses materiais no ciclo econômico”, afirma.
Apesar do esforço de diversas frentes da sociedade, como universidades, ONGs e empresas, para impedir que esses componentes eletrônicos contribuam para a degradação ambiental, ainda falta o despertar das pessoas para a necessidade de reciclar esses produtos tecnológicos sucateados, muitas vezes comuns em nossas casas. Seja um celular quebrado, uma tela que já não funciona ou a pilha descarregada do controle remoto.
David Noronha afirma que um dos maiores desafios do setor atualmente é a falta de descarte correto. “Infelizmente, as pessoas não têm cultura de descarte consciente. Vai muita bateria para o aterro, para o lixo.”
Lado B do streaming
Quem nunca ficou paralisado na frente das ofertas dos grandes serviços de streaming de filmes e séries para descobrir que, por mais que elas sejam gigantescas, não atendem exatamente aos seus desejos naquele momento. Essas plataformas são ótimas para ver séries novas, conteúdo produzido pelos estúdios a elas ligados, blockbusters ou eventos esportivos ao vivo, mas não são exatamente boas para achar aquele conteúdo mais nichado.
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É o principal streaming para quem curte animes, os desenhos animados japoneses. Tem um catálogo com mais de 50 mil episódios de 1.400 títulos. Além de clássicos como Naruto, alguns destaques do catálogo são produções de sucesso como Solo Leveling, Jujutsu Kaisen, Shingeki no Kyojin, One Piece e My Hero Academia.
Planos
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Superfan: R$ 19,99 mensais, com possibilidade de assistir offline e acesso a games
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Planos
Mensal: R$ 9,90
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Planos
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Plataforma ligada ao Itaú Cultural, focada em produções nacionais. Além de curtas, documentário e alguns longas, traz shows e peças de teatro filmados, além de trabalhos audiovisuais ligados às artes visuais. Normalmente, faz parcerias com grandes festivais de cinema que acontecem em São Paulo, como MixBrasil, Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e É Tudo Verdade, exibindo filmes desses festivais enquanto eles acontecem. O melhor: é gratuito.
Outra plataforma gratuita, voltada para filmes de temática LGBTQIA+. Tem no catálogo filmes de diferentes regiões do país, sobretudo curtas, que estão organizados pelas letras da sigla (L,G,B, T e +), além dos gêneros clássicos, como ação, drama, fantasia. Uma coisa interessante é que é uma plataforma aberta a receber conteúdos de produtoras.
Plataforma brasileira para descobrir produções independentes. Assim como o LGBTflix, ela funciona com a submissão de filmes pelos produtores. São longas, curtas, séries e documentários, mas também traz alguns clássicos que já estão em domínio público, como Metrópolis, de Fritz Lang, ou Tempos Modernos, de Charles Chaplin. Como o nome indica, é de graça.
Não poderia deixar de fora o streaming cá deste Meio. Aqui a especialidade é conteúdo jornalístico de qualidade. Além dos nossos documentários, como o imperdível Fernanda Montenegro, A Luz e o Mistério e os dois sobre democracia, tem Ponto de Partida, a série e outras novidades chegando. Para quem já é assinante do Meio é de graça.
Planos
Mensal R$ 15
Anual R$ 150
O melhor dos streamings de filmes de arte. Também usando um modelo de curadoria, traz muitos filmes novos que fizeram o circuito dos principais festivais de cinema, como Cannes, Veneza, Berlin, Locarno e Sundance. Também traz séries e muitas produções independentes, entre longas e curtas. É um catálogo que muda bastante, trazendo especiais de diretores e gêneros.
Planos
Mensal: R$ 34,90
Anual: R$ 298,80
Esse é para os amantes de filmes clássicos ou de filmes antigos, afinal nem todo filme retrô é clássico. Ainda assim, são mais de mil títulos à disposição. É um dos melhores lugares para encontrar aquele faroeste ou dramas de antes dos anos 1950. Além dos filmes, conta com desenhos animados das antigas, de Pernalonga a Speed Racer.
Planos
Mensal: R$ 16,90
Trimestral: R$ 44,90
Anual: R$ 168,90
Ligado à distribuidora Imovision, especializada em filmes europeus, sobretudo franceses. O catálogo reflete essa vocação. Tem filmes de arte, mas também o cinema mais pop produzido hoje no velho continente. São aproximadamente 500 filmes disponíveis, entre longas que levaram o César, o Oscar francês, comédias, dramas e filmes de ação e de suspense.
Planos
Mensal: R$ 24,50
Semestral: R$ 124,95
Anual: R$ 211,68
É o repositório de conteúdos produzidos para a Sesc TV, na maioria documentários e séries documentais que integram a grade da TV a cabo. Tem muitas produções brasileiras interessantes, em temas contemporâneos, que vão da arte à educação. Também dá acesso aos discos do selo Sesc e os cursos feitos na instituição. Assim como o Itaú Cultural Play, frequentemente exibe conteúdo extra das mostras de cinema exibidas nos cinemas da rede Sesc, além de festivais como a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e o É Tudo Verdade. É gratuito.
Ligado à SPCine, a empresa de cinema do município de São Paulo, é uma plataforma que promove o cinema nacional. No catálogo estão longas, curtas e documentários, bastante produção nova e uma seleção bacana de filmes nacionais para crianças. E também é uma plataforma gratuita.
Como a Blackflix, é o streaming dos cinemas negros, mas a diferença é que é gratuito. Nascida do Mapeamento dos Cinemas Negros Brasileiro, realizado para a tese de doutorado do pesquisador Márcio Brito Neto na Universidade Federal Fluminense, se tornou um espaço para reunir a produção feita por pessoas negras afrodiaspóricas, com filmes de diferentes partes do mundo.
A política monopolizou a atenção dos assinantes do Meio. Confira os links mais clicados na semana:
1. Poder360: Internautas fazem memes sobre raio em ato de Nikolas Ferreira.
2. g1: Vídeo mostra momento exato em que raio atinge concentração de ato pró-Bolsonaro em Brasília.
3. Meio: A entrada de Ronaldo Caiado no PSD indica briga na direita e contra o bolsonarismo, analisa Pedro Doria.
4. Meio: No Ponto de Partida, Pedro Doria mostra os motivos pelos quais se pode chamar Donald Trump de fascista.
5. g1: Ronaldo Caiado no PSD impulsiona Ratinho Júnior e deixa para trás Tarcísio de Feitas, avalia Julia Duailibi.


























