Reeleição de Lula: agora vai?
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Há um fato comum a todos os presidentes que concorreram à reeleição: Fernando Henrique em 1998, Luiz Inácio Lula da Silva em 2006, Dilma Rousseff em 2014 e Jair Bolsonaro em 2022. Todos melhoraram suas avaliações de governo durante o ano da reeleição. Especialmente no primeiro semestre da corrida eleitoral. Segundo a última pesquisa Meio/Ideia, o presidente Lula, versão 2026, também adere a essa tendência e se junta a essa estatística. A questão é qual impacto dessa melhora de percepção, e das boas notícias vindas da desorganização da oposição, impactam a trilha da reeleição daqui em diante.
Nesse sentido, essa rodada da pesquisa Meio/Ideia traz boas e más notícias para o presidente. Vamos analisá-las uma a uma.
A começar pelas boas notícias. Primeiro, a avaliação do governo melhorou. Desde a última pesquisa, a avaliação ótimo/bom saiu de 31,5% para 35,6%. As áreas que mais evoluíram foram economia (ótimo/bom saiu de 27,7% para 28,8%), segurança (ótimo/bom saiu de 17,7% para 19,7%) e saúde (ótimo/bom saiu de 28,3% para 30,4%). A aprovação também oscilou positivamente de 44% para 46,6%. Acreditamos que políticas públicas como o fim do imposto das blusinhas e a nova fase do Desenrola (programa para refinanciamento de dívidas) contribuíram para essa melhora de percepção.
Esses sinais positivos apontam a uma direção quase que irreversível. Nenhum governante, em reeleição, piorou a avaliação entre junho e outubro do ano eleitoral. A inflexão a partir de maio sempre foi ascendente. Ou seja, o presidente já se estabelece em um patamar bastante competitivo. A essa altura, em 2022, Jair Bolsonaro ainda não tinha esse degrau de aprovação.
A intenção de voto, mesmo com todas as ressalvas de simular cenários de segundo turno a essa altura, trouxe um alívio importante. O presidente Lula, que regularmente aparecia empatado tecnicamente com o senador Flávio Bolsonaro, passa a ter uma diferença positiva de 5,1 pontos percentuais (saiu de 44,7% Lula x 45,3% de Flavio Bolsonaro para 46,5% Lula x 41,4% Flavio Bolsonaro), corroborando o retrato apontado nas pesquisas do Datafolha e Nexus. Em uma eleição que provavelmente será disputada voto a voto, qualquer ponto percentual pode fazer toda a diferença.
Ainda no aspecto do copo meio cheio, a desorganização da oposição ajuda e a insistência no bolsonarismo ajudam. Como aponta o levantamento, o patamar de rejeição de Flávio Bolsonaro segue elevado (39,8% na resposta múltipla e 45% na resposta única de rejeição), e o evento do áudio com Daniel Vorcaro não contribui para amenizar essa rejeição, muito pelo contrário.
Entrando no campo dos desafios da reeleição, a pesquisa Meio/Ideia sempre cruza o voto em 2022 com aprovação do governo e merece continuar de Lula. Com isso, é possível verificar que o grupo que votou em Jair Bolsonaro em 2022 no segundo turno em nenhum momento aprovou essa gestão petista e segue sendo um enorme paredão de popularidade. Nenhum presidente reeleito enfrentou esse muro.
Sendo assim, a margem de melhora do presidente parece seguir bastante estreita. O não merece continuar de Lula da pesquisa Meio/Ideia caiu, mas continua alto. Passou de 8 pontos percentuais na onda passada (merece 44% e não merece 52%) para 5,8 pontos percentuais (merece 45,6% e não merece 51,4%). Como temos sinalizado em nossos artigos desde janeiro, essa é a pergunta central da eleição. O presidente segue com saldo negativo nesse sentimento e o tempo está passando. E mesmo o nível da avaliação ótimo/bom das pesquisa Meio/Ideia ainda o coloca em uma posição frágil de êxito.
Para complicar, não custa lembrar que o PT sempre sofre mais com a abstenção, usualmente concentrada em segmentos de baixa escolaridade. Uma gordura de popularidade nas pesquisas, assim como havia em 2006 e 2014, é necessária para a reeleição.
Portanto, houve alívios, melhorias e evolução para o quadro eleitoral da situação, mas ainda a soma é tímida para Lula alcançar uma zona confortável de reeleição. Em resumo, ainda nem foi e nem veio.


