Centrão começa a se (re)aproximar de Lula
Embora o discurso de campanha do presidente Jair Bolsonaro (PL) ainda seja de vitória — e no primeiro turno —, dois grupos que tradicionalmente apoiam o governo, qualquer governo, já estão fazendo movimentos em direção ao líder nas pesquisas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No Centrão, representantes do PP e do Republicanos — sustentáculos do governo ao lado do PL — têm se apresentado como interlocutores para uma (re)aproximação com os petistas. Candidato ao Senado pelo Mato Grosso, o deputado Neri Geller (PP) vem fazendo a ponte de Lula não só com o partido, mas com a bancada ruralista. Pelo Republicanos, o negociador seria o deputado pernambucano Silvio Costa Filho, respaldado pela aliança que já existe em seu estado com o PT e o PSB. O retorno do PL, de onde veio José Alencar, vice de Lula em 2002 e 2006, é visto como improvável, já que o partido deve eleger uma bancada com forte presença bolsonarista. (Globo)
Datafolha põe campanha Bolsonaro em alerta vermelho
A estabilidade apontada ontem pela pesquisa Datafolha animou a campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e acendeu um alerta na do presidente Jair Bolsonaro (PL). Na mesma linha do Ipec, divulgado na segunda-feira, o levantamento apontou um aumento, dentro da margem de erro de dois pontos, na distância entre eles. Lula manteve 45%, enquanto Bolsonaro recuou de 34% para 33%. Alvos de uma campanha pelo voto útil, Ciro Gomes (PDT) subiu de 7% para 8%, e Simone Tebet (MDB) manteve seus 5%. Soraya Thronicke (União Brasil) foi de 1% para 2%. O cenário de estabilidade é reforçado pelo fato de que 78% dos entrevistados dizerem que não mudarão seus votos. Num eventual segundo turno, Lula venceria Bolsonaro por 54% a 38%. A pesquisa ouviu 5.926 pessoas nos dias 13 e 15 de setembro em 300 cidades brasileiras, o maior universo abordado pelo Datafolha para esta eleição. (g1)
Campanhas tentam conter estrago após ataques a Vera Magalhães
Os comandos das campanhas do presidente Jair Bolsonaro (PL) e do ex-ministro Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato ao governo paulista, passaram o dia ontem tentando conter os danos do ataque à jornalista Vera Magalhães pelo deputado estadual bolsonarista Douglas Garcia (Republicanos-SP). Ela saía de um debate entre candidatos a governador quando o deputado, filmando com o celular, a abordou com ofensas e mentiras sobre seu salário. O incidente aconteceu num momento em que Bolsonaro tenta vencer a resistência do eleitorado feminino. Rompido com Garcia desde o ano passado, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) usou o Twitter para criticá-lo: “Não há justificativa para provocar uma jornalista e tentar constrangê-la gratuitamente no seu local de trabalho, sem que ela tenha dado qualquer motivo para isso”. Embora Garcia estivesse no local como parte da comitiva de Tarcísio, o ex-ministro disse que “mal o conhecia”, e, em resposta, o deputado publicou um vídeo dos dois juntos. O candidato ao governo telefonou para a jornalista para se desculpar pelo incidente, e, via Twitter, Vera agradeceu, mas lembrou que a autorização para esse tipo de comportamento parte dos líderes. (Folha)
TSE oferece saída honrosa aos militares
Um dia depois de negar em nota um acordo para dar aos militares acesso privilegiado a boletins de urna, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aceitou a principal sugestão do Ministério da Defesa em relação às eleições de outubro. Por unanimidade, os ministros decidiram adotar um projeto-piloto para o teste de integridade das urnas. Pela proposta, de 32 a 64 urnas entre as 640 que já são testadas serão acionadas pela biometria de eleitores reais, o que não está previsto nos protocolos atuais. Elaborada pelo presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes, a minuta não constava da pauta e pegou de surpresa até os funcionários. No Ministério da Defesa, a decisão foi considerada “excelente”, e a expectativa é que o teste seja feito no maior número de urnas possível. A proposta havia sido rejeitada pelo presidente anterior da Corte, Edison Fachin, e enfrentava resistência da área técnica do tribunal, mas Moraes afirmou que a mudança não terá impacto no calendário eleitoral. (UOL)
TSE nega a Forças Armadas sua apuração paralela
O clima entre os militares e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que parecia distensionado, voltou a azedar ontem. A Corte negou em nota que tenha feito qualquer acordo com o Ministério da Defesa para um “acesso diferenciado em tempo real aos dados enviados para a totalização”. Os militares querem fotografar os boletins de 385 urnas nas seções eleitorais e comparar com os resultados delas que chegam ao TSE. A Defesa teme que, com esse recuo, sua principal proposta, a mudança do teste de integridade nas urnas, também seja rejeitada. (Folha)
Violência de bolsonaristas marca fim de semana
Amplificada em discursos e manifestações, a violência política, seja física ou moral, tornou-se realidade ao longo do fim de semana. Na sexta-feira, o bolsonarista Rafael Silva de Oliveira, de 24 anos, foi preso na cidade de Confresa (MT) por ter assassinado a facadas e machadadas o lulista Benedito Cardoso dos Santos, de 42 anos, durante uma discussão sobre política. Os dois trabalhavam numa chácara. Aparentando frieza, segundo a polícia, Oliveira disse que Santos tentou atacá-lo com a faca, mas que ele conseguiu tomar a arma e golpeá-lo. Após diversas facadas, o assassino tentou decapitar a vítima com um golpe de machado no pescoço. Rafael Oliveira tem passagem pela polícia por tentativa de latrocínio e estelionato. (UOL)
Morre Elizabeth II, a rainha do século 20
O mundo perdeu ontem uma das personalidades mais marcantes do último século. Morreu na Escócia, aos 96 anos, a rainha Elizabeth II, que reinou por 70 anos sobre o Reino Unido e países como Canadá, Austrália e Jamaica – o mais longo reinado na história desses países. Embora a coroação ainda não esteja marcada, seu primogênito já é o rei Charles III, que aos 73 anos, se torna a pessoa mais idosa a ascender ao trono britânico. Por volta do meio-dia, horário da Inglaterra, um comunicado inesperado informava que a saúde da rainha inspirava preocupação. Seus filhos e netos viajaram para o palácio de Balmoral, na Escócia, onde ela passava o verão, e no fim da tarde veio a confirmação de sua morte. “A rainha morreu em paz em Balmoral esta tarde”, dizia o lacônico comunicado oficial. (Guardian)
Bicentenário vira comício e Bolsonaro é denunciado no TSE
Pela primeira vez desde a redemocratização do país, o feriado de 7 de Setembro, e justamente o Bicentenário da Independência, foi usado como palanque político de um candidato à reeleição. Jair Bolsonaro (PL), que há meses conclamava apoiadores para encher as ruas no feriado, fez discursos, atacou adversários e pediu votos em Brasília e no Rio de Janeiro. Os demais poderes da República se recusaram a fazer parte do ato. Mesmo convidados, os presidentes do STF, Luiz Fux, da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), não compareceram nem mandaram representantes ao desfile na capital. Se em seus discursos Bolsonaro evitou atacar diretamente o STF e seus ministros, os cartazes entre o público não deixavam dúvidas quando ao tom golpista, com pedidos de intervenção militar e fechamento do Supremo e do Congresso. (UOL)
Edição Extra: Hoje é o tudo ou nada de Bolsonaro
Se o desfile do Bicentenário da Independência em Brasília terá hoje algum verniz de festa cívica, no Rio o evento da tarde é explicitamente político, apesar da participação de militares. A começar pelo local, a orla de Copacabana, palco de atos de apoio ao presidente. Como conta Malu Gaspar, o presidente Jair Bolsonaro (PL) não vai ocupar o palanque montado pelo Exército, e sim o trio elétrico do pastor Silas Malafaia, um dos mais ferrenhos apoiadores do governo. Ali se reunirão autoridades, líderes evangélicos e empresários, incluindo os investigados por pregarem um golpe de Estado. A escolha do trio busca evitar problemas com a Justiça Eleitoral, como aconteceria se Bolsonaro pedisse votos em instalações das Forças Armadas. Uma ausência notável, revela Lauro Jardim, será a da primeira-dama Michelle Bolsonaro, estrela em eventos com evangélicos. O comando da campanha teme que “o clima esteja confuso”. Certamente estará barulhento. O Exército avisou aos moradores de prédios vizinhos ao Forte de Copacabana que serão feitas salvas de canhão ao longo do dia. A orientação é manter as janelas abertas para “evitar danos”. (Globo)
Fachin suspende trechos do decreto das armas e enfrenta Bolsonaro
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin provocou fúria no Palácio do Planalto ao suspender monocraticamente trechos dos decretos do presidente Jair Bolsonaro (PL) flexibilizando compra, posse e porte de armas de fogo por cidadãos, atendendo a pedidos de uma ação do PT e duas do PSB. Em sua decisão, Fachin sustenta haver risco de violência política nas eleições deste ano e questiona se o uso indiscriminado de armas de fogo realmente aumenta a segurança. O ministro também restringiu os efeitos de uma portaria conjunta dos ministérios da Justiça e da Defesa aumentando o limite de munição que pode ser comprado. (UOL)