Ainda não é assinante? Assine. Não custa nada.



17 de março de 2021
Consultar edições passadas



Covid-19 devolve Bolsonaro a sua maior rejeição


O Datafolha revela, hoje, a urgência que sentem aliados do governo quando cobram mudanças no enfrentamento da Covid-19: 54% dos entrevistados reprovam a gestão de Jair Bolsonaro na pandemia, e 43% o consideram pessoalmente responsável pela crise. Somente 22% acreditam que ele faz um bom trabalho. Na avaliação geral, o governo é considerado ruim ou péssimo por 44%, voltando ao pior índice, registrado em junho do ano passado. Para 30% é ótimo ou bom. Em momento algum de seu governo o presidente teve reprovação tão alta. (Folha)

Esses números vieram no mesmo dia que outros ainda piores. O Brasil voltou a quebrar o recorde de mortes em 24 horas. Foram 2.798 óbitos registrados na terça-feira, embora geralmente esse seja o dia em que são computados todos os números de fim de semana. No total, já são 282.400 vidas perdidas, com a média móvel de 1.976 mortes em sete dias, mais um recorde. A tendência é de alta em todas as unidades da Federação, exceto Bahia e Roraima, onde há estabilidade, e Rio de Janeiro e Amazonas, que estão em queda. Foi o dia mais letal também em São Paulo, com 679 mortes, e no Rio Grande do Sul, com 502. (G1)

Segundo a Fiocruz, o Brasil vive o “maior colapso sanitário e hospitalar da história”, com ocupação de leitos de UTI acima de 80% no DF e em 24 estados, 15 deles com ocupação acima de 90%. (UOL)

E, ainda assim... O futuro ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, se apresentou na manhã de ontem afirmando que atuará pela continuidade do trabalho feito pelo ainda ministro Eduardo Pazuello. A política de combate à pandemia, ele afirmou, “é do governo Bolsonaro, não do ministro da Saúde”. À tarde defendeu novas medidas com base “no melhor da evidência científica” e conclamou a população a usar máscaras — a mesma máscara que, durante sua entrevista, ele próprio, feito um amador pouco habituado, permitiu que escorregasse expondo displicente seu nariz. (Folha)

A ideia de que ‘o programa é do governo’ foi endossada num tom um quê diferente pelo vice-presidente Hamilton Mourão. “O ministro é um executor das decisões do presidente da República”, disse o homem que assume o cargo caso Bolsonaro seja legalmente impossibilitado de ocupá-lo. “O presidente é o responsável por tudo o que aconteça ou deixe de acontecer.” (G1)

Escolha pessoal do presidente com o apoio do filho-senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), Queiroga terá de conquistar a confiança do Centrão, que tinha muito interesse no ministério. “Não teremos paciência com ele. É acertar ou acertar”, disse sobre o médico o vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM). “As respostas terão que ser rápidas e efetivas”. (Estadão)

Coluna do Estadão: “Os primeiros movimentos de Queiroga decepcionaram parlamentares, governadores, gestores da área de saúde e a comunidade científica. Foram lentos e tímidos, indicando que a estratégia de Bolsonaro de, agora, evocar a vacina para continuar contra o confinamento será mantida. Sem lockdowns, será difícil interromper o contágio e, na prática, muita gente ainda vai morrer de Covid-19 no País. ‘Se continuarmos nessa política, vamos ficar contando mortos. A vacinação está lentíssima’, afirma a epidemiologista Ethel Maciel.” (Estadão)

E... No que depender de Bolsonaro, Pazuello não voltará já para os quartéis. Depois da posse do sucessor, esperada para a próxima semana, o general deve ganhar um cargo, ainda não escolhido, no Palácio do Planalto. (Globo)

A situação em São Paulo só se agrava. As medidas mais restritivas não conseguiram, por enquanto, aumentar os níveis de isolamento no estado e na capital, ambos em 42% na segunda-feira – o mesmo de uma semana antes, sem as restrições. A taxa de isolamento é medida pela movimentação de celulares na cidade, monitorada pelas operadoras. O que não para de aumentar é a ocupação nos leitos de UTI, que está em 89,9% no estado e 90,6% na capital. (Folha)

Já o Rio, embora esteja com tendência de queda nas mortes, vem batendo recordes de pedidos de internação em UTIs por Covid-19. Para especialistas, as medidas adotadas pela capital e pelo estado, escalonando horário de comércio e permitindo ambulantes, são “receitas para um desastre”. Por outro lado, a vacinação na capital, que estava suspensa, será retomada amanhã, com divisão de dias por idade e gênero. (Globo)

Mas há boas notícias. A Fiocruz entrega hoje, com a presença do atual e do futuro ministro da Saúde, as primeiras 500 mil doses da vacina Oxford/AstraZeneca produzidas no Brasil. Outras 580 mil serão entregues até sexta-feira, e a estimativa é produzir 3,8 milhões de doses ainda este mês. (UOL)

E técnicos da Anvisa se reuniram ontem com representantes do laboratório Janssen, com o qual o Ministério da Saúde acertou a compra de 38 milhões de doses de vacinas. O tema foi a autorização emergencial para uso do imunizante. (UOL)

Por falar em vacinação, o ministro da Educação, Milton Ribeiro, pediu que os professores e outros profissionais de educação sejam incluídos no grupo prioritário. Segundo ele, é uma solução para a retomada das aulas presenciais no país. (Poder360)

O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) sofreu um revés duplo ontem no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Por três votos a dois, a Quinta Turma da Corte rejeitou o recurso do parlamentar para anular um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O documento apontando movimentação bancária suspeita no tempo em que o Zero Um era deputado estadual no Rio, deu início à investigação de um suposto esquema de “rachadinhas” no gabinete de Flávio. A Quinta Turma também rejeitou o pedido para que os atos do juiz Flávio Itabaiana fossem anulados, já que o senador tem foro privilegiado. (Poder360)

Mas, por quatro votos a um, a mesma Quinta Turma revogou a prisão domiciliar de Fabrício Queiroz, pivô do caso das “rachadinhas”, e da mulher dele. A soltura depende da determinação de outras medidas cautelares pelo TJ do Rio e de notificação ao STF. (Globo)

Bela Megale: “A defesa de Flávio Bolsonaro vai recorrer ao STF para tentar anular as decisões proferidas pelo juiz Flávio Itabaiana, que esteve à frente do caso Queiroz durante a fase de apuração dos fatos.” (Globo)

Meio em vídeo. A jornalista Juliana Dal Piva, colunista do Uol, tem acompanhado de perto as investigações contra Flávio Bolsonaro. Das “rachadinhas” na Alerj à compra de imóveis de alto padrão — o mais recente em Brasília, por “meros” R$ 6 milhões. No Conversas com o Meio desta semana, ela analista as ações que correm contra o senador e relembra detalhes importantes de cada caso. Confira no YouTube e no Spotify.

Entre lágrimas, a deputada e pastora Flordelis (PSD-RJ) negou, em depoimento por vídeo ao Conselho de Ética da Câmara, que tenha mandado matar o marido, o também pastor Anderson do Carmo. Ele foi assassinado a tiros na casa da família, em Niterói (RJ), junho de 2019. Flordelis acusou as filhas pelo crime, mas, para a polícia, ela é a mandante e só não está presa por ter imunidade parlamentar. O processo no conselho pode levar à cassação de seu mandato. (UOL)

Não há democracia, dizia Thomas Jefferson, sem eleitores informados. Mas, no século 21, os veículos tradicionais perderam o encaixe na vida. Mas o Meio encaixa. A gente já resolve para você, de segunda a sexta, o problema das notícias. Podemos resolver também o do contexto, da profundidade, com a edição de sábado. Assine. Não vai se arrepender. É tão barato…

separador

O Mundo transformado pelo 5G


A certeza de que o 5G irá revolucionar a medicina é sustentada por vários fatores. O tamanho do mercado de healthcare é de aproximadamente US$ 9 trilhões e ele é uma das indústrias que cresceu mais rápido no mundo nos últimos anos. Gigantes tecnológicos como Apple, Google e Amazon estão de olho nele, que já possui seus gigantes tradicionais como Philips, Siemens e GE. Grande parte das inovações tecnológicas previstas para explodir na próxima década existem hoje, já foram testadas e aprovadas e só precisam de uma rede mais rápida para se popularizar. Por último, mas não menos importante, estamos passando por uma pandemia. A COVID-19 acabou com o receio que a classe médica ainda tinha em relação a telemedicina e fez essa tecnologia crescer exponencialmente. Monitoramento contínuo de pacientes, telecirurgia e até a transformação dos hospitais está por vir: estão para nascer equivalentes a AirBnb da saúde, casas confortáveis com todo o equipamento para a melhor recuperação. Acompanhe no novo artigo da série sobre como o 5G está mudando o mundo.

No segundo vídeo da série, casas inteligentes que esquentam seu banho enquanto você estaciona na garagem e óculos conectados fundem o mundo digital e o real. Assista.

Viver


Aliás... Você está com dinheiro sobrando, por pouco que seja? Tem gente realmente precisando. A campanha Tem Gente com Fome é um bom lugar para começar.

Um fragmento de pergaminho escrito em grego há dois mil anos foi apresentado ontem pelo governo de Israel e é considerado a maior descoberta arqueológica no país desde os Manuscritos do Mar Morto, achados a partir da década de 1940. Encontrado no deserto da Judeia, o novo fragmento traz trechos dos últimos livros do Antigo Testamento. As autoridades encontraram durante a pesquisa diversos outros objetos, incluindo uma cesta de junco de aproximadamente 10.500 anos, possivelmente a mais antiga do mundo. (Estadão)

Cultura


O ator canadense Elliot Page, de 34 anos, que estrelou filmes como Juno e séries como The Umbrella Academy, concedeu sua primeira entrevista e posou para as primeiras fotos desde que se assumiu como um homem transgênero. “Eu esperava muito apoio e amor e uma quantidade imensa de ódio e transfobia”, conta ele sobre o anúncio da transição. “E foi exatamente o que recebi.” Classificando a si mesmo como “uma obra em andamento”, Page lembra na entrevista a dificuldade que tinha desde a infância em lidar com a própria imagem feminina, mesmo depois de se assumir como homossexual, em 2014. Casar com a coreógrafa Emma Portner, em 2018, e passar a exigir um guarda-roupa masculino para seus papéis foram os passos seguintes no caminho de aceitar a própria identidade de gênero. (Time)

Cotidiano Digital


Após resistir, o Facebook fez acordo com o grupo de imprensa News Corp na Austrália. Para cumprir a nova lei do país, a big tech concordou em pagar para os veículos, como canal Fox News, agência Dow Jones e jornal Wall Street Journal, para oferecerem notícias ao News do Facebook. Mas a negociação não foi fácil: a rede social chegou a bloquear o seu serviço de notícias em resposta à nova lei. O Google também reclamou, mas logo fechou acordo. Só que a Austrália está inspirando leis semelhantes pelo mundo. Já movimenta legisladores na Europa e EUA, com apoio da Microsoft.

Por falar no Google… A big tech seguiu a Apple e vai reduzir pela metade a taxa de 30% sobre as transações na Play Store. Mas como a rival, a mudança só vale para pequenos desenvolvedores, aqueles que faturam até US$ 1 milhão. A política das big techs sobre seus marketplaces virou briga judicial com a Epic Games, dona do Fornite, que tentou burlar a regra.

Em uma medida inédita do Uber, os seus mais de 70 mil motoristas no Reino Unido, até então autônomos como no resto do mundo, ganharão status de funcionários, com salário mínimo e férias remuneradas. A mudança foi feita após uma ampla consulta com seus motoristas e apenas um mês depois de uma derrota na Suprema Corte britânica, que decidiu que eles podem ser considerados “empregados”. As tarifas dos serviços devem aumentar no país, mas o Uber também deve absorver o aumento de custos. A mudança pode se repetir no resto da Europa, onde a empresa trabalha para replicar o modelo da Califórnia, ou seja, motoristas autônomos, mas que recebem compensações.





Bem-vindo ao Meio. A assinatura básica é gratuita, comece agora mesmo.



17 de março de 2021
Consultar edições passadas