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5 de abril de 2021
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Prezadas leitoras, caros leitores —

Há duas semanas pedimos a vocês que respondessem a uma pesquisa. Era para conhecermos o perfil de quem fez do Meio parte de suas vidas.

Somos, hoje, uma comunidade de mais de 120 mil pessoas lendo a newsletter diária, além dos 65 mil assinantes que acompanham o que produzimos no YouTube. E, caramba, que grupo.

Vivem por todo o Brasil e em mais de 50 outros países. São jovens e adultos — 13% com menos de 24 anos, 56% entre 25 e 44. Mais de 86% têm ensino superior ou pós. (O grupo com pós é maioria.) Um quinto são diretores ou presidentes das empresas em que trabalham. E seus hábitos são digitais.

Preparamos um material que inclui gráficos com mais detalhes.

Muito obrigado =)

— Os editores


Marques libera cultos, STF deve levar caso a plenário


Causou grande mal estar entre os ministros do STF a decisão de Kássio Nunes Marques, nomeado no ano passado por Jair Bolsonaro, de liberar a realização de cerimônias religiosas presenciais em todo o Brasil, justamente no momento mais grave da pandemia de Covid-19. A liminar contraria o entendimento do Plenário do Supremo de que estados e municípios têm autonomia para estabelecer regras de distanciamento social e restrição de atividades. Já há um movimento da Corte para que o presidente Luiz Fux leve o caso ao Plenário. Há inclusive uma estratégia para isso. Gilmar Mendes, que criticou acidamente Nunes Marques no julgamento da suspeição de Sérgio Moro, analisa uma ação semelhante, proposta pelo PSD. Se for na contramão do colega e rejeitar a liberação das cerimônias, o assunto irá para o Plenário automaticamente. (Globo)

O presidente da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), Jonas Donizette, também pediu que o STF se manifeste sobre o que está valendo. A decisão anterior do Plenário ou a liminar de Nunes Marques? “Essa flagrante contradição atrapalha o enfrentamento à pandemia em um país federado e de dimensões continentais como o nosso”, disse. (G1)

Intimado por Nunes Marques, o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, suspendeu a proibição das cerimônias religiosas, mas lamentou nas redes sociais. “Por mais que doa no coração de quem defende a vida, ordem judicial se cumpre”, escreveu o prefeito. (Poder360)

Com a liberação pelo ministro, igrejas católicas e evangélicas fizeram cerimônias para comemorar o domingo de Páscoa. (Folha)

Mas o padre Júlio Lancellotti, coordenador da Pastoral do Povo de Rua da Arquidiocese de São Paulo, criticou duramente a decisão de Marques. “A essencialidade da liberdade religiosa é o testemunho. Não é ir no templo. Tem muita gente que vai no templo e não testemunha Jesus. Vai no templo para testemunhar o cofre. Vai no templo para testemunhar o lucro, não Jesus”, disse o padre, em celebração online da Páscoa. (UOL)

Thiago Amparo: “Direito é como um castelo de cartas, onde as peças (os argumentos) empilham-se delicadamente; sem isso, o castelo todo cai por terra. É o que acontece com a decisão do ministro Kassio Nunes. Que fique claro: o ministro desafia a hermenêutica e a paciência jurídicas ao tentar, sem sucesso, empilhar de forma desconexa argumentos que, juntos, não convencem e, sozinhos, estão errados.” (Folha)

Então... A dívida das igrejas com a União já chega a R$ 1,9 bilhão. O valor se refere ao imposto de renda e à contribuição previdenciária descontados no contracheque dos funcionários e embolsados pelos templos. (Estadão)

E o Twitter removeu ontem um vídeo em que o ex-deputado condenado no mensalão e presidente do PTB, Roberto Jefferson, incentiva cristãos a se armarem contra “Satanás que quer fechar igrejas e impor o comunismo no Brasil”. (Poder360)

O presidente Jair Bolsonaro usou o domingo de Páscoa para, na contramão do que dizem os cientistas, criticar mais uma vez as medidas de isolamento social decretadas por estados e municípios. No Twitter, ele publicou o vídeo de um apresentador de TV que o apoia atacando o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), a partir de supostos repasses federais para o combate à pandemia no estado. Só mais tarde Bolsonaro usou o Twitter para desejar feliz Páscoa aos brasileiros. (UOL)

Câmara e outros governadores reagiram com indignação ao ataque de Bolsonaro. “Em lugar de disseminar fake news, por que não assumir suas verdadeiras atribuições e fazer parte do enfrentamento à pandemia?”, escreveu Câmara no Twitter. (Poder360)

Líder da minoria na Câmara e possível candidato ao governo do Rio, o deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ) defende que uma candidatura de esquerda – tanto no estado quanto na disputa presidencial – reúna também o centro. “Não dá para dividir o país apenas entre bolsonaristas e petistas”, diz o deputado, que defende ainda o apoio de seu partido à candidatura de Lula (PT) e diz que gostaria de ver Ciro Gomes (PDT) e o ex-presidente no mesmo palanque. (Estadão)

E o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu em artigo a formação, para o pleito de 2022, de uma candidatura de centro que seja “progressista, social e economicamente”.

Fernando Henrique Cardoso: “A liberdade é como o ar que respiramos: sem nos darmos conta, é dele que vivemos. Basta cortá-lo para aparecerem consequências nefastas. Daí que eu veja com apreensão o momento atual. Apresentemos aos brasileiros, quanto antes, um programa de ação realista, que permita juntar ao redor dele os partidos e as pessoas para formar um centro que seja progressista, social e economicamente. Centro que não pode ser anódino: terá lado, o da maioria, o dos pobres; mas não só, também o dos que têm visão de Brasil e os que são aptos para produzir. Quem personificará esse centro? É cedo para saber.” (Globo e Estadão)

Meio em vídeo. Circulou na semana passada um manifesto pela consciência democrática que é assinado por seis pré-candidatos à presidência da República. Mas não é assinado por Lula. Que é um democrata. Qual, então, é intenção de Ciro Gomes, Eduardo Leite, João Amoêdo, João Doria, Luciano Huck e Luiz Henrique Mandetta? Veja no Ponto de Partida no Youtube.

A pandemia de Covid-19 se converteu em mais uma ferramenta do governo Bolsonaro para desestabilizar as Polícias Militares, em particular nos estados com governadores vistos como “inimigos” pelo Planalto. Redes de extrema-direita têm disseminado informações falsas atacado publicações das PMs em estados como São Paulo, Bahia, Piauí e Maranhão. Segundo o coronel Lindomar Castilho, comandante da PM do Piauí, há pessoas que “tentam desinformar e fazer a cabeça dos policiais” sob seu comando. (Estadão)

Nessa estratégia de levar as PMs ao confronto com os governos estaduais, outra ferramenta importante são policiais de baixa patente, mas com liderança dentro da categoria. Segundo especialistas, há uma tentativa de “politizar” queixas históricas da Polícia Militar, ligadas a questões salariais e estrutura de trabalho. Para um ex-comandante da PM, porém, a recusa da polícia baiana a se amotinar após a morte de um soldado em surto psicótico mostra resistência às tentativas de politização. (Globo)

Aliás, a participação da Polícias Militares em tentativas de golpe (pelo menos uma bem-sucedida) ao longo do século 20 foi o tema da edição de sábado do Meio.

Não há democracia, dizia Thomas Jefferson, sem eleitores informados. Mas, no século 21, os veículos tradicionais perderam o encaixe na vida. Mas o Meio encaixa. A gente já resolve para você, de segunda a sexta, o problema das notícias. Podemos resolver também o do contexto, da profundidade, com a edição de sábado. Assine. Não vai se arrepender. É tão barato…

Viver


O Brasil ultrapassou a Índia como segundo país com mais casos de Covid-19 no mundo e se aproxima dos 13 milhões de infectados desde o início da pandemia. No domingo foram registrados, segundo dados do consórcio de veículos de comunicação, 30.939 novos casos, totalizando 12.983.560. Houve ainda 1.233 mortes, elevando o total a 331.530. A média móvel de óbitos em sete dias, 2.747, teve alta de 20% em relação ao período anterior. A tendência é de alta no Distrito Federal e em 12 estados: ES, MG, RJ, SP, DF, MS, MT, AP, CE, MA, PB, PE e PI. (G1)

Segundo o Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde, da Universidade de Washington, o Brasil deve ter cem mil mortes por Covid-19 ao longo do mês de abril. Esse é o pior dos três cenários traçados pela instituição, que leva em conta fatores como uso de máscaras e respeito às regras de distanciamento social. (UOL)

Quando se fala em colapso nos sistemas de saúde, geralmente se pensa em ocupação de leitos e falta de material, mas há um outro que chama menos a atenção: o dos profissionais. Médicos, enfermeiros e técnicos chegam ao esgotamento, agravado pela sensação de que a população não está colaborando para melhorar a situação. (Globo)

Uma boa notícia é que o número de internados nos hospitais em todo o estado de São Paulo caiu, embora continue alto. Segundo o governo do estado, havia neste domingo 29.962 pacientes internados, o que representa uma queda de 1.041 em relação à última sexta-feira. (Folha)

O presidente argentino Alberto Fernández, diagnosticado com Covid-19 na sexta-feira, está em isolamento, mas sem apresentar sintomas, segundo a equipe médica da Casa Rosada. (UOL)

E a pandemia fez surgir um novo negócio, o turismo de imunização. Uma agência norueguesa cobrando o equivalente a até R$ 20 mil por um pacote de duas viagens de quatro dias a Moscou que inclui city tour e duas doses da vacina Sputnik V, que ainda não foi aprovada pela agência de saúde da União Europeia. (Poder360)

O Brasil tem hoje 18 estados sem aulas presenciais e em 19 as escolas particulares só podem operar remotamente. É o maior número desde julho de 2020, quando terminou o primeiro fechamento completo para tentar conter a pandemia de Covi-19. A Fiocruz reconhece que escolas são serviços essenciais, mas diz que seu funcionamento só pode ser garantido em regiões com a doença sob controle. (Globo)

E a Justiça do Rio suspendeu o decreto do prefeito Eduardo Paes permitindo a retomada hoje das aulas presenciais no município. (G1)

Mesmo diante dos problemas causados pela pandemia, da exclusão digital e da falta de investimentos na educação, a prioridade do MEC no momento é a regulamentação, ainda no primeiro semestre do ensino doméstico. Não se trata do ensino à distância, mas de um sistema em que os próprios pais educam os filhos em casa. Em todo o mundo é uma pauta de grupos fundamentalistas religiosos, que buscam blindar as crianças de temas como evolução e educação sexual. (G1)

Cultura


O Uruguai é literalmente colado no Brasil, e, pelo menos desde 1956, quando foi citada por Cecília Meireles numa palestra, Ida Vitale era um nome conhecido nos círculos brasileiros de poesia. Entretanto, somente agora a obra da poeta uruguaia de 97 anos chega ao Brasil, por meio da antologia Não Sonhar com Flores. Vencedora de quase todos os prêmios literários da língua espanhola, Vitale foi escolhida em 2019 pela BBC uma das 100 mulheres mais influentes e inovadoras do mundo. Vamos finalmente apreciar o motivo. (Globo)

Morreu no sábado, aos 84 anos, o cantor Agnaldo Timóteo, devido a complicações da Covid-19. Ele estava internado desde o dia 17. Dono de uma das vozes mais potentes do Brasil, Agnaldo Timóteo deixou Minas Gerais no fim dos anos 1950 para tentar a carreira musical no Rio e conseguiu projeção nacional a partir da segunda metade da década seguinte. Tinha um forte apelo popular, mesmo quando cantava músicas de autores mais “elitizados” da MPB, como Chico Buarque (Olhos nos Olhos, Youtube) ou Gonzaguinha (Sangrando, Youtube). Nos anos 1980, entrou para a política e foi deputado federal e vereador. O corpo do cantor foi sepultado numa cerimônia íntima no domingo. Agnaldo Timóteo foi internado dias depois de tomar a segunda dose da CoronaVac. Segundo o Instituto Butantan, responsável pela vacina, são necessárias algumas semanas após a vacinação para se atingir a imunização desejada. (UOL)

Cotidiano Digital


Esquecido em uma gaveta por quase 35 anos, uma cópia lacrada do jogo Super Mario Bros. quebrou o recorde e se tornou o video-game mais caro já vendido. O cartucho de 1986 foi encontrado pelo dono lacrado e vendido em leilão por R$ 3,7 milhões. O valor alto, segundo a empresa responsável pela venda, tem motivo: é uma das primeiras cópias do jogo a ser embalada com filme retrátil (quando o plástico que envolve todo o produto é lacrado com calor) — técnica que a Nintendo adotou por um curto período — em vez de ter um selo adesivo. Essa não é a primeira vez que um jogo do Super Mario Bros faz sucesso em leilão. Ano passado, uma versão de 1985 foi vendida pelo valor recorde de R$ 890 mil.





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