Meio/Ideia: Mais da metade dos brasileiros culpa bets por dívidas e vício
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As bets representam hoje a maior pauta moral-econômica do país, concentrando forte apelo social e potencial de disputa política. É o que revela a pesquisa Meio/Ideia de maio, que mostra uma percepção majoritariamente negativa dos brasileiros sobre os impactos econômicos e sociais desse mercado em expansão.
Enquanto o endividamento das famílias brasileiras atinge níveis recordes, 59% dos entrevistados culpam as apostas online por contribuírem para esse agravamento. Apenas 19% discordam dessa avaliação, enquanto 22% ainda não sabem opinar.
As bets provocam endividamento?

Na prática, os números mostram que, para a maioria da população, as bets já deixaram de ser vistas apenas como entretenimento e passaram a ser associadas diretamente à pressão financeira sobre os lares brasileiros. A preocupação, porém, vai além do bolso: para 61,9% dos brasileiros, as apostas online estão viciando a população, contra apenas 16% que rejeitam essa percepção.
As bets viciam?
Nesse cenário, cresce o respaldo a medidas mais rígidas. Quase metade dos entrevistados (44%) defende que as apostas online sejam proibidas de operar no Brasil, enquanto 24% são contrários à proibição. Outros 32% ainda não têm posição formada. Quando o foco recai sobre publicidade, no entanto, o consenso diminui: 38,5% discordam de autorizar bets e proibir as propagandas; 33% concordam; e 28,5% não souberam responder.
As bets devem ser proibidas de operar no Brasil?

As bets podem continuar operando no Brasil, mas devem ser proibidas de fazer propaganda?

Os números refletem o cotidiano dos brasileiros. Um em cada quatro entrevistados (25%) admite ter realizado apostas online nos últimos 30 dias. “Quase 30% dos homens apostaram online nos últimos 30 dias, contra 22% das mulheres. As faixas mais ativas são as de 25 a 34 e 45 a 59 anos. E o fenômeno já atravessou a porta de casa: 34% dos adultos entre 25 e 34 anos afirmam que um familiar apostou recentemente e 31% acreditam que alguém da família aposta sem contar para ninguém. Esse passa, assim, a ser um tema central das eleições presidenciais”, avalia o fundador e CEO do Ideia, Mauricio Moura.
Você fez apostas online nos últimos 30 dias?

Mas essa não é a única pauta de forte impacto social captada pela pesquisa. O levantamento também revela um apoio massivo ao fim da escala de trabalho 6×1. Ao todo, 73,7% dos brasileiros se dizem favoráveis ao encerramento desse modelo, contra apenas 21,5% que se posicionam contra.
O que você acha do fim da escala 6×1? 
Entre os principais ganhos percebidos, o mais citado é a possibilidade de passar mais tempo com a família (33,7%), seguido por descanso (24%). Também aparecem a chance de investir em qualificação profissional (11%), buscar renda complementar (9,6%), poder cuidar melhor dos afazeres domésticos (7%), frequentar mais igrejas e cultos religiosos (3,5%) e ir com mais frequência a eventos culturais e esportivos (2.3%). Outros 2,1% apontaram outros benefícios e 6,9% não souberam responder.
Qual seria o maior impacto para o(a) trabalhador(a) com o fim da escala 6×1?

Politicamente, a proposta oferece ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que enviou ao Congresso Nacional um projeto de lei sobre o tema, uma janela de oportunidade, ainda que limitada. Caso a medida seja aprovada, 46% afirmam que sua avaliação sobre o governo melhoraria, enquanto 24,1% dizem que pioraria. No entanto, os ganhos podem ficar restritos ao grupo que já apoia o presidente. Quando esse dado é confrontado com os atuais índices de aprovação de Lula, apura-se que 86,1% de quem já o aprova tenderia a melhorar sua avaliação; enquanto 62,2% de quem não sabe avaliar seu governo pode melhorar.
Recentemente, o Governo Federal apresentou um projeto de lei próprio para propor o fim da escala de trabalho 6×1 Se o projeto for aprovado:

A pesquisa de opinião Meio/Ideia foi realizada de 1 a 5 de maio de 2026, inscrita no TSE como BR-05356/2026 para amostra representativa de 1.500 respondentes, sobre a corrida eleitoral de 2026. A margem de erro é de 2,5% e o nível de confiança é de 95%.
Corrida eleitoral
Consolidação é uma das principais novidades captadas pelo levantamento deste mês no campo da direita. Com o cenário eleitoral ganhando contornos mais definidos, o nome do senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) aparece hoje mais competitivo e, sobretudo, mais estável. Em abril, cerca de 60% de seus eleitores ainda diziam que poderiam mudar de voto. Agora, esse índice caiu para 43%. Entre os eleitores de Lula, por outro lado, essa disposição permaneceu estável.
Decisão de voto – Flávio Bolsonaro
Decisão de voto – Lula

Na pesquisa espontânea, em que nenhum nome é apresentado ao entrevistado, Lula lidera com 33,4% das menções, seguido por Flávio Bolsonaro, com 20%. Mesmo inelegível, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ainda é lembrado por 4%. Na sequência, aparecem o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), com 3,7%, e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), com 3%. Os demais nomes registram percentuais mais modestos, enquanto o contingente de indecisos ou eleitores que não sabem em quem votar soma 23,1%.
Em 2026 teremos eleições para presidente do Brasil, se as eleições fossem hoje em quem você votaria?(ESPONTÂNEA)

No cenário estimulado, Lula mantém a liderança com 40%, mas Flávio encurta a distância e aparece com 36%. Caiado surge em terceiro, com 5,6%, seguido por Zema, com 3%, e Ciro Gomes, com 2,3%. Para Pedro Doria, diretor de jornalismo do Meio, o resultado reforça a posição de Flávio como principal nome da oposição hoje, bem à frente dos demais postulantes da direita. “No flanco direito, o momento é delicado. Flávio começa a consolidar seus eleitores, enquanto os adversários não conseguem aparecer.”
Em qual desses candidatos você votaria para Presidente da República se a eleição fosse hoje?

Já nos cenários de segundo turno, Flávio também se destaca como o adversário mais competitivo para Lula. Em um confronto direto, os dois aparecem tecnicamente empatados: 45,3% para Flávio, contra 44,7% para Lula, o quadro mais apertado entre todos os testados.

Ronaldo Caiado também demonstra competitividade considerável, alcançando 40% contra 44,7% de Lula.

Romeu Zema aparece logo atrás, com 39%, com Lula pontuando 44%.

Já outros nomes, como Ciro Gomes, Renan Santos e Aldo Rebelo, abrem distâncias mais confortáveis para o presidente.



Avaliação do governo
No campo governista, o cenário continua desafiador para o presidente. A avaliação geral de sua gestão segue majoritariamente negativa: ruim e péssimo somam 46,3%, enquanto ótimo e bom alcançam 31,5%. Outros 21% classificam o governo como regular. Na aprovação direta, 53% desaprovam a maneira como Lula conduz a Presidência, contra 44% que aprovam.
Como você avalia o governo de Lula até o momento?

A segurança pública ainda figura como o ponto de maior desgaste do governo Lula: 56,1% dos brasileiros classificam sua atuação na área como ruim ou péssima. Na sequência, aparece a economia, com 47,1% de avaliações negativas. Saúde e educação também registram saldo desfavorável, embora em níveis menos severos.
Como você avalia o governo de Lula até o momento? Segurança pública

Como você avalia o governo de Lula até o momento? Economia
Como você avalia o governo de Lula até o momento? Saúde

Como você avalia o governo de Lula até o momento? Educação

Esse desgaste se traduz diretamente na percepção sobre continuidade. Hoje, 52% afirmam que Lula não merece permanecer no cargo após 2026, enquanto 44% defendem sua recondução.
Em 2026 teremos eleições para Presidente da República. Na sua opinião, o presidente Lula merece continuar?

Jorge Messias
A rejeição de Jorge Messias pelo Senado para uma vaga no STF foi um dos episódios institucionais mais acompanhados do período: 58,6% dos brasileiros tomaram conhecimento do fato. As interpretações sobre o episódio dividem o país em três blocos quase equivalentes. Para 36%, foi uma articulação da oposição para enfraquecer o governo. Para 35%, foi uma derrota do presidente que expõe a fragilidade do governo. Apenas 12% avaliaram que o Senado fez seu papel ao barrar uma indicação política.
Você sabe da rejeição de Jorge Messias pelo Senado?

Pensando na rejeição do nome de Jorge Messias pelo Senado para o STF, o que mais se aproxima da sua opinião?

O episódio abriu uma questão prática: para quem Lula deve olhar agora? A pesquisa mostra que 39,4% preferem um nome técnico, sem ligação direta com o governo. Outros 37% querem que Lula mantenha o perfil político na nova indicação. Apenas 13,2% defendem um nome negociado com o Senado.
Quem Lula deve indicar para o STF?

Zema × STF
O embate entre Romeu Zema e ministros do STF — com a publicação de vídeos usando fantoches para satirizar a corte — não chegou ao conhecimento da maioria: 76,4% dos entrevistados afirmam não saber do ocorrido. O episódio tem baixíssima penetração no Norte (92,2% desconhece) e Centro-Oeste (90%), e mesmo entre eleitores de Caiado (91,7%) e Direita não Bolsonarista (90,6%).
Entre os que opinaram, o resultado é incômodo para o STF: 50,3% consideram que Zema está certo e que a corte ultrapassou seus limites, contra 21,7% que defendem o tribunal. Outros 10,3% acham que os dois lados exageram, mas que o problema maior é Zema; 7% dizem o mesmo, mas apontando o STF como o maior problema; e 8,5% leem o episódio como disputa eleitoral pura.
O que achou da atitude de Zema?

O dado mais surpreendente: a tese de que o STF exagerou tem mais força entre eleitores de Lula (63,5%) e quem aprova o governo (60,8%) do que entre eleitores de Flávio Bolsonaro (38,5%) — sugerindo que a insatisfação com a Corte atravessa campos políticos.
STF / Caso Master
O Caso Master, a parte do escândalo envolvendo membros do Supremo Tribunal Federal, já chegou ao conhecimento de 54,3% dos brasileiros, dois pontos percentuais a mais do que em abril (52%). Outros 26% dizem ter ouvido falar mas sem certeza, e apenas 19,7% afirmam não saber do que se trata.
Você tomou conhecimento do caso Master, envolvendo membros do STF?

A percepção negativa da Corte se traduz em capital eleitoral, ainda que em leve recuo. Em abril, 45,4% dos brasileiros diziam que um candidato ao Senado que prometesse votar o impeachment de ministros do STF aumentaria sua chance de voto. Em maio, esse índice caiu para 42,7%. Os que dizem que isso diminuiria seu voto permaneceram estáveis em 18%, assim como os que afirmam que não alteraria sua decisão (31,3%). O apelo segue concentrado: é quase unânime entre eleitores de Flávio Bolsonaro (86,7%), mas, entre eleitores de Lula, a promessa de impeachment do STF diminui a chance de voto para 45% — e apenas 1,7% dizem que aumentaria.
Em 2026, teremos eleições para o senado. Se um(a) candidato(a) ao senado, na campanha; prometer votar o impeachment de algum ministro do STF, isso:



