Zanin, a pedra no sapato da dosimetria
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Nos bastidores da posse do ministro Kassio Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e de André Mendonça na vice, o principal assunto nas rodas de conversa entre parlamentares e lideranças da oposição era a suspensão da dosimetria. Em off, interlocutores que dialogaram com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) afirmaram que hoje há maioria na Corte para manter a lei, e que o próprio relator, Alexandre de Moraes, está articulando para sustentar esse entendimento. A avaliação é de que o ministro com maior resistência (e potencial para abrir divergência, votando contra e tentando influenciar outros colegas) seria Cristiano Zanin. Ainda assim, segundo essas fontes, “as conversas ainda estão acontecendo”.
Antes mesmo do início da cerimônia, a decisão de Moraes dominava conversas em corredores e salões, à medida que deputados, senadores e outras autoridades chegavam para a solenidade. Relator da matéria na Câmara, Paulinho da Força (Solidariedade) contou ter se reunido com Moraes nesta quinta-feira e disse ter saído “tranquilizado”. Segundo ele, o ministro argumentou que a suspensão foi necessária por razões de insegurança jurídica. Moraes teria explicado ainda que aguarda as manifestações da Presidência da República, do Congresso Nacional, da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da Advocacia-Geral da União (AGU), com expectativa de que esses pareceres sejam apresentados até o fim desta semana. A partir disso, a previsão seria liberar o tema para pauta, mirando a votação em plenário ainda até o fim de maio.
Já o senador Rogério Marinho (PL), coordenador da campanha do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL), adotou tom mais duro: “Primeiro, Moraes tem que sair de cima do texto”. Quem também criticou a suspensão foi o deputado Nikolas Ferreira (PL), ao afirmar que o Congresso “fez seu trabalho” ao aprovar a lei e, depois, derrubar o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo ele, a população precisa “ficar atenta ao que está acontecendo”, porque, em sua visão, “basicamente, um homem está dominando o país todo”. O núcleo duro do bolsonarismo compareceu em peso à cerimônia, de Flávio Bolsonaro à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.


