‘Mapa de apoios está desfavorável ao Irã e sua visão de futuro’, diz Abbas Milani

Para o cientista político iraniano, professor de Stanford, com o ataque de drones o Irã reverteu as críticas que o Ocidente vinha fazendo a Benjamin Netanyahu e se isolou. E o único caminho para sua sobrevivência é a democracia

O professor Abbas Milani nasceu no Irã. Foi preso pelo regime do xá Reza Pahlavi. Depois, perseguido pelo regime islâmico do aiatolá Khomeini. Buscou abrigo nos Estados Unidos na década de 1980, de onde nunca deixou de lutar por uma democracia em seu país de origem. Chegou a prestar consultoria a George W. Bush e Barack Obama, numa louvável disposição de colaboração bipartidária. Seu conselho sempre foi o mesmo: o Irã deve se reencontrar com um regime democrático, secular, por sua própria conta. Sem interferências externas.

No momento em que o país lançou um inédito ataque a Israel, ainda que “ineficaz” se a intenção fosse mostrar precisão e potencial de causar mortes, Milani, cientista político e professor em Stanford, lamenta, porque sabe que uma guerra não é algo que seus compatriotas desejem. Ele insiste que é preciso separar o povo iraniano do regime que governa o país, que, pelos seus cálculos, não tem mais que 20% de apoio. E defende que a transição democrática virá — e será liderada pelas mulheres.

Milani lembra que o Irã foi um dos primeiros países muçulmanos a estabelecer relações com o Estado de Israel, em 1950, e por décadas defendeu a solução de dois Estados com relação à Palestina. Mas o regime islâmico iraniano estabelecido em 1979 vem, cada vez mais, dobrando a aposta do autoritarismo, e um inimigo externo serve a esse propósito. Assim como serve para Benjamin Netanyahu, Milani defende.

O tipo de resposta que Israel pode promover é incerto. O que Milani sabe é que o mapa de apoios no Oriente Médio é desfavorável ao Irã no momento. A Rússia pede moderação. Mesmo a China, aliada estratégica do país persa, dá sinais de que não pretende deixar uma guerra regional se desenrolar e que prefere o “comedimento” da Arábia Saudita.

Confira aqui os principais trechos da entrevista de Abbas Milani, diretor de Estudos Iranianos da Universidade de Stanford. Se quiser ver a conversa na íntegra, em inglês (sem legendas), é só clicar aqui.

O senhor nasceu no Irã e viveu os dois períodos da relação com Israel: um de relativa paz e aceitação e outro de guerra, ainda que de uma guerra indireta. O que cada era revela dos episódios recentes?
O que aconteceu no final de semana é um resultado direto da ascensão da República Islâmica no Irã, em 1979. Desde a criação do Estado de Israel, já em 1949, o Irã foi um dos dois primeiros países muçulmanos a estabelecer relações diplomáticas reais com Israel. O Irã era a favor da solução de dois Estados. Em 1955, a relação entre os dois países ficou ainda mais séria, expandiu-se, e incluía a venda de petróleo iraniano a Israel abaixo do valor de mercado. Incluía também a cooperação da polícia secreta iraniana, a Savak, com o Mossad, de Israel. E incluía um trabalho conjunto contra o nacionalismo árabe, especialmente o de [Gamal Abdel] Nasser, do Egito. Ou seja, até 1979, havia todo tipo de relação diplomática e econômica entre Irã e Israel. Depois de 1967, o Irã passou a advogar consistentemente para que Israel desistisse de terras ocupadas e aceitasse a solução de dois Estados. Em 1971, o Irã restabeleceu as relações com o Egito sob Anwar Al Sadat e passou a ter uma relação, digamos, mais multifacetada com Israel, mas ainda próxima. A revolução de 1979 muda tudo.

De que maneira?
A primeira autoridade estrangeira a visitar o Irã foi Yasser Arafat [líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP)]. O governo iraniano disse que foi por sua própria vontade, que ele queria ser o primeiro, mas o fato é que ele foi recebido com as honras de um chefe de Estado. A embaixada israelense em Teerã foi repassada para a OLP. Khomeini era muito anti-Israel. Muito. E, na minha opinião, antissemita. Mas ele era esperto, como o atual regime também é, para disfarçar seu antissemitismo em antissionismo. Foi assim que se iniciaram esses 45 anos de confronto e da chamada “guerra de sombras”, que agora se torna muito mais aberta. Mas ela já vinha se tornando clara nos últimos dois, três anos.

A política do Irã se justifica internamente em torno de sua oposição a Israel e aos EUA? E qual é o estágio da luta democrática no país?
Não vi nenhuma pesquisa desta última semana, mas todas que vi nos últimos dois anos, incluindo algumas vazadas por oficiais do regime, indicam que esse governo está cada vez mais isolado domesticamente. Que o despotismo, a corrupção, o nepotismo, o dogmatismo, a misoginia e o apartheid de gênero no país não agradam, pelo menos, 80% da população. Mas, mesmo isolado, o regime ainda tem alta capacidade de opressão. De matar e prender grandes quantidades de pessoas. E não tem qualquer vergonha de usar essa violência. Dentro do Irã, forças democráticas vêm articulando a ideia de que a retórica violenta anti-Israel e os bilhões de dólares despejados nos proxies — em forças como o Hezbollah, no Líbano, o Hamas, em Gaza, a Jihad Islâmica, também em Gaza, em grupos radicais dentro da Autoridade Palestina, que vêm minando os esforços de uma solução de dois Estados, os houthis, no Iêmen — estão levando os iranianos a concluir que já deu. Chega.

Por quê?
Porque eles se questionam: e quanto ao Irã? Hoje mesmo li um artigo em que um ex-comandante da Guarda Revolucionária, a IRGC, estima que os cerca de 400 drones lançados contra Israel custaram algo em torno de US$ 4 bilhões. E não atingiram nada. Ao contrário, expuseram a ineficácia das armas de que o governo iraniano tanto se gabava. Veja que a crítica não é sequer de uma força democrática estrangeira, secular, ou algo assim. É de um ex-comandante da IRGC. Então, meu sentimento a partir do que tenho lido e escutado é que as pessoas estão cansadas desse regime que empurra o Irã para a guerra com Israel. Ainda mais ao observar a incompetência do ataque. Fico feliz que eles não tenham acertado nada, não quero ver qualquer perda de vidas. Mas mesmo membros do regime vão questionar a legitimidade e a sagacidade desse tipo de política de despejar bilhões de dólares num projeto que é uma causa perdida.

Por que o senhor a considera perdida?
Porque não se pode destruir Israel. O Estado de Israel está aqui para ficar. Da mesma forma, não se podem destruir os palestinos, que estão aqui para ficar. Aqueles em Israel que insistem em dizer que querem limpar a área de palestinos são o extremo oposto do que diz a República Islâmica do Irã, quando ela sugere que quer a destruição do Estado de Israel. Ambos estão alimentando uma ilusão e, ao fazê-lo, vão consolidando a posição um do outro. Quanto mais um radical israelense disser que quer eliminar os palestinos de Gaza, mais se alimenta a completa estupidez do regime iraniano de dizer que quer a destruição completa do Estado de Israel.

Como estão os apoios dos vizinhos da região para cada lado?
Até esse ataque do Irã, o mapa de apoios estava, ao menos taticamente, no curto prazo, se voltando contra Israel. Isso era muito claro. O contínuo massacre de civis em Gaza não estava pegando bem com os aliados. Eu nunca tinha visto a relação entre Israel e Estados Unidos tão fragilizada como estava há dez dias. França, Alemanha, Reino Unido, ONU, todos estavam criticando incessantemente as políticas de Netanyahu em Gaza. E por uma boa razão. Não se pode punir civis pelas brutalidades e pelo terrorismo do Hamas. É uma política errada e ineficiente. Mas quase todos os países que estavam críticos a Netanyahu se uniram a ele novamente para deter o ataque do Irã. Então, o ataque iraniano ajudou Israel, e estrategicamente, agora, há uma mudança. Arábia Saudita, Emirados Árabes, Catar, Kwait, Marrocos, Jordânia, Egito, todos eles decidiram que o futuro do Oriente Médio é com Israel, essa é a realidade. Eles fizeram as pazes com a realidade e tentam lucrar com ela, assim como Israel. Esses países tentam lucrar com a tecnologia de Israel, por exemplo. A China está se aproximando da Arábia Saudita. Essa aliança é que é o futuro do Oriente Médio. O mapa de apoios é muito desfavorável ao Irã e a sua visão de futuro.

Qual o papel da Arábia Saudita nesse cenário?
Recentemente, a Foreign Affairs publicou um artigo em que defende que o Irã é a força dominante do Oriente Médio. Eu discordo. A Arábia Saudita é hoje bem mais dominante no mapa e foi capaz de assegurar uma aliança com a China. Hoje, a Arábia Saudita é que tem uma aliança virtual com os palestinos, com o Egito, com os israelenses, com o Catar. O Irã está completamente isolado. E Netanyahu também, diga-se. Como disse Shakespeare, mantenha as mentes inquietas ocupadas com guerras estrangeiras. E Netanyahu e Irã estão com mentes inquietas em casa, insatisfeitas com suas políticas.

O senhor acha que o Irã aproveitou para atacar Israel num momento em que os apoios estavam estremecidos esperando que os aliados pedissem, como pediram, que Netanyahu não retaliasse?
É uma forma de interpretar essa ação. Não é como eu interpreto. Os EUA e os países europeus vinham sendo muito claros, há meses, sobre não querer uma guerra na região. Mas Netanyahu claramente quer uma guerra. Por entender que o Irã está enfraquecido, ele vem pressionando o Irã a reagir, atacando o país na Síria, por exemplo. Israel destruiu cerca de 75% dos ativos iranianos na Síria, e o Irã não respondeu. Não fez nada. Algumas vezes o governo ignora, outras ameaça retaliar em algum momento. Daí, Israel vai atrás de sete comandantes de alta patente num consulado iraniano em Damasco. Se o Irã tivesse reagido de qualquer outra maneira, se tivesse matado israelenses, talvez Netanyahu visse isso como um sinal verde para atacar o Irã da forma que ele quer. O regime iraniano sabe o que Netanyahu quer e não pode chamar essa briga porque sabe que vai perder.

Como o senhor vê a ação das grandes potências, EUA, Rússia e China, nesse contexto?
Há uma mudança muito clara e histórica no cenário global. O Ocidente, particularmente os EUA, decidiram que seus interesses estão menos alocados no Oriente Médio, o país está menos dependente do petróleo da região do que há 20 anos, e, por isso, não está disposto a se envolver num conflito maior por lá. A China, então, decidiu ocupar esse espaço, porque precisa do petróleo do Oriente Médio e de seus mercados. Alguns países perceberam essa reconfiguração e foram criativos para se reinventar, como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes. Ou, no caso da Arábia Saudita, ao menos imaginar como seria um país reinventado num cenário em que o petróleo não é tão importante como já foi.

O Irã escolheu dobrar a aposta na ideologia, no islamismo, no radicalismo, na destruição de Israel, na animosidade contra o Ocidente e em mais autoritarismo internamente para sobreviver. Não acho que vá funcionar.

Por que não?
O regime está nadando contra a onda da História. Ele usou a guerra em Gaza e os ataques dos últimos dias, enquanto domesticamente atacou mulheres nas ruas com a polícia da moralidade com uma agressividade que não acontecia havia anos. Claramente, o regime quis usar esse momento em que todas as atenções estão voltadas para mísseis, drones e Gaza para atacar as iranianas e forçá-las a usar o hijab, entre outras coisas. Há uma lei iraniana que acho que não existe em nenhum outro lugar: se o governo encontrar sequer uma foto de uma mulher sem véu ele pode automaticamente, sem informá-la, confiscar dinheiro de sua conta bancária. A ideia de ter uma conta em que o Estado pode fazer saques é o oposto do propósito de qualquer sistema financeiro. As iranianas não vão aceitar ser cidadãs de segunda classe, viver um apartheid. O regime pode reprimi-las, prendê-las. Pode atrasar o processo. Mas a batalha é perdida. Esse governo fica lutando batalhas perdidas porque Khamenei e aqueles em seu entorno não conseguem desistir de ideias antigas, mesmo que já tenha sido provado que elas são erradas, antidemocráticas e desumanas.

Por outro lado, há uma onda de autocracias no mundo, e não só no Oriente Médio. Nesse sentido, não seria uma escolha tática dobrar a aposta no autoritarismo?
É exatamente o que Khamenei quer: se unir a essa aliança autoritária. Mas ele não admite nesses termos. Ele fala de uma era de dominação do Oriente, de um século da Ásia, do fim da democracia ocidental. Muito em sintonia com o que China, Rússia e Turquia vêm dizendo. Eu escrevi um artigo em 2007 sobre o surgimento dessa irmandade de autoritários entre Irã, Rússia, China e Turquia. Agora, a Otan aponta que ela de fato existe.

O que uma eventual vitória de Donald Trump na eleição americana pode representar para o Irã?

Muitos iranianos da diáspora apoiam Trump porque acreditam que ele enfrentaria o regime. Para mim, isso é equivocado por uma série de razões. A primeira é que a democracia iraniana não pode vir dos EUA. Tem de vir do povo iraniano. Em segundo lugar, Trump não tem compromisso com a noção de democracia em lugar algum. No momento que assumir, se ganhar, Trump vai ficar em paz com esse regime se ele fizer as concessões necessárias. Trump fala muitas coisas e não sabemos o que ele vai fazer, é parte de seu populismo. Agora, a aliança autoritária global vai se fortalecer. Ele já disse que vai desmontar a Otan. Certamente, não vai enfrentar Putin. Esses são temas que vão moldar a disputa entre democracia e autoritarismo no mundo. E o regime iraniano quer estar ao lado dos autoritários. Mas o povo iraniano não quer. Alguns acham que eu sou muito otimista por acreditar que o povo vai vencer.

O que o leva a achar isso?
O horizonte está mais para o autoritarismo, a brutalidade do regime não diminuiu, ao contrário. Mas os problemas econômicos do Irã são tão profundos que nada além da democracia pode salvá-lo. A única maneira de o Irã sobreviver e não mergulhar num longo período de barbárie é a democracia — e isso porque os problemas econômicos são gigantescos. O regime desperdiçou uma enorme quantidade de riqueza, não apenas na criação de seus proxies. Seu programa nuclear também é um desperdício da forma como o fizeram. Eles gastaram literalmente dezenas de bilhões de dólares na compra de tecnologias que não funcionam. Há uma estimativa que diz que as sanções ao programa nuclear e à tomada de reféns custaram ao Irã US$ 1,5 trilhão.

O único país que teria condição de colocar trilhões de dólares para salvar esse regime é a China. E os chineses não estão interessados em ajudar financeiramente.

Por que o senhor diz isso?
O Irã ofereceu um acordo de 25 anos, um dos mais generosos acordos que uma colônia poderia oferecer a um colonizador, e a China hesitou. A ideia era que eles colocassem US$ 400 bilhões no Irã em 25 anos e, em troca, poderiam escolher aceitar ou recusar, em primeira mão, todo tipo de contrato de energia, segurança, além de ter um porto no Golfo Pérsico. A China disse sim, mas foi lá e assinou um outro acordo com a Arábia Saudita aceitando, por exemplo, chamar o Golfo Pérsico apenas de “golfo", como os árabes queriam, e aceitando todas as críticas dos árabes aos iranianos. Então, a China não vê o Irã como um bom parceiro num futuro autoritário. Se você tiver de escolher uma autocracia como parceira, qual escolheria? A de MBS [Mohammad bin Salmanm, príncipe herdeiro da Arábia Saudita], que tem US$ 1 trilhão em fundos soberanos e quer modernizar o país, incluindo as mulheres na equação, ou o Irã, que acaba de quase iniciar uma guerra e pode, a qualquer momento, testar sua arma nuclear?

O senhor está convencido de que o Irã está pronto para isso?
Quem tem o conhecimento tecnológico do assunto diz que sim, que o Irã tem todas as peças necessárias para construir a bomba. Basta a decisão política.

A causa palestina é relevante para o Irã de alguma forma?
Precisamos fazer a distinção entre o povo iraniano e o regime. Não creio que o regime iraniano se importe com a causa palestina. Eles se importam com a causa islâmica na Palestina. É muito diferente. Eles são inimigos da OLP, que representa o nacionalismo palestino. O regime iraniano atua para desestabilizar a Autoridade Palestina, porque quer que eles apoiem o Hamas em Gaza. Agora, o povo iraniano não apoia mais um Estado islâmico no país ou em qualquer lugar. Então, entre iranianos há apoio para um Estado palestino secular e democrático, não para outra versão de uma república islâmica. Havia um slogan nos protestos no Irã que deixava os clérigos enfurecidos: “Nem Gaza, nem Líbano, minha vida pelo Irã". Esse é o sentimento. A sociedade iraniana e a diáspora iraniana, juntas, têm a capacidade de fazer a transição democrática. Quando vai acontecer? Não sei. Mas não tenho dúvida de que vai acontecer.

A democracia iraniana teria de ser secular também?
Não creio que seja possível conciliar religião e democracia. Você pode ser uma sociedade religiosa e democrática. Mas não pode haver uma democracia religiosa. Ter uma religião significa adotar um certo jeito de adorar, de ver o mundo, um conjunto de valores. Religião significa certeza. Democracia é baseada na ambiguidade. A grande Hannah Arendt já dizia isso. Democracias se baseiam na noção de que ninguém tem uma resposta final. Todos estamos juntos nessa e precisamos nos consultar, ceder, compartilhar visões. Religião significa a aceitação de dogmas. Não acredito numa democracia judaica, cristã, budista, hindu e certamente não acredito numa democracia islâmica. O que os clérigos iranianos dizem ao povo é que, ao decidir separar o Estado da religião, eles perderão sua religião e não conquistarão a democracia. Minha visão é exatamente a oposta.

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