Prezadas leitoras, caros leitores —
Daqui a quatro dias, cada um dos cidadãos deste país vai poder testemunhar, lance a lance, o julgamento de sete homens acusados de tentar acabar com a democracia brasileira. Os réus são militares, um deles capitão convertido presidente da República, e políticos que se uniram para tramar um golpe de Estado.
No mesmo 2 de setembro, o Meio vai lançar um documentário, exclusivo para assinantes premium, mostrando os detalhes dessa trama. Ao se debruçar sobre as minúcias da denúncia ao lado de Sérgio Rodrigues, o roteirista, e Ricardo Rangel, o diretor, a editora-chefe do Meio, Flávia Tavares, se deparou com episódios já conhecidos que, sob a luz das descobertas da Polícia Federal e de outras apurações e insights, revelam novas nuances dos crimes. E como Jair Bolsonaro narrou pública e constantemente o que planejava na surdina. Ela conta que momentos são esses e mais bastidores da produção do doc “O Julgamento do Século” na Edição de Sábado.
Por falar em sobreviventes, Vitor Conceição reconstrói a história do Linux, sistema operacional criado 34 anos atrás que ajudou a popularizar a internet. E Guilherme Werneck bate um papo com Ava Rocha, multiartista filha dos cineastas Glauber Rocha e Paula Gaitán, que defende que o atual colapso da indústria da música dá espaço para os criadores radicalizarem.
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Lula e Tarcísio disputam crédito por megaoperação contra PCC

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez questão de puxar para o governo federal os créditos da investigação que desaguou na megaoperação batizada de “Carbono Oculto”, que ligou o PCC à Faria Lima em um esquema bilionário de lavagem de dinheiro e fraudes no setor de combustíveis e envolveu mais de 1,4 mil agentes estaduais e federais em dez estados do país. De acordo com Lula, a ação foi a “maior resposta ao crime organizado da nossa história até aqui”. O presidente também elogiou os órgãos federais envolvidos na investigação. “O trabalho integrado — iniciado com a criação, no Ministério da Justiça, do Núcleo de Combate ao Crime Organizado — permitiu acompanhar toda a cadeia e atingir o núcleo financeiro que sustenta essas práticas”, disse. Centralizar o combate ao crime organizado no governo federal é uma das propostas da PEC da Segurança Pública apresentada pelo governo federal ao Congresso. (Poder360)
Lula buscou levar o protagonismo para o governo federal com dois objetivos. Um, mais claro, era mostrar à opinião pública que o Planalto combate o crime organizado de forma séria e estruturada. O outro, mais sutil, foi mandar um recado para o presidente americano Donald Trump, que, em sua escalada contra o país, tem dado a entender que Brasília atua, no mínimo, de maneira apática contra as organizações criminosas no Brasil, em especial o PCC. A administração Trump vem dando sinais de que pretende classificar as facções brasileiras como grupos terroristas, o que abriria espaço, ao menos nos Estados Unidos, para ações militares agressivas contra esses grupos. (Folha)
Mais cedo, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e o da Fazenda, Fernando Haddad, promoveram uma entrevista coletiva em Brasília para explicar os detalhes da operação. Entenda o esquema aqui. (Meio)
Em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) tentou também assumir a paternidade da operação, organizada de forma conjunta entre o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público paulista, o Ministério Público Federal e as polícias Federal e estadual. Logo pela manhã, Tarcísio publicou uma nota nas redes sociais parabenizando o serviço de inteligência do Gaeco e das polícias de São Paulo que, segundo ele, se “expandiu por todo o país”, sem citar os órgãos federais. (Veja)
De acordo com apuração de Lauro Jardim, a operação deflagrada nesta quinta-feira deve expandir seus alvos não apenas para outras facções criminosas, mas também para políticos que usavam o esquema montado na Faria Lima para lavar recursos ilícitos vindos de crimes de corrupção. Segundo o jornalista, a investigação deve revelar em breve que políticos que estão no comando de partidos ligados à direita e ao Centrão também participavam do esquema. (Globo)
A gigantesca operação escancarou o protagonismo do centro financeiro do país nas operações de uma das maiores facções criminosas do Brasil, com ramificações em quase 30 países ao redor do mundo. Os alvos das buscas da investigação mostram que a Faria Lima, região conhecida no mercado financeiro como o “Condado”, de fato concentrava a maior parte das fintechs envolvidas no esquema, que eram, em muitos casos, vizinhas de porta. Os responsáveis por lavar o dinheiro do PCC dividiam, muitas vezes, o mesmo endereço. Dez empresas envolvidas no esquema estão localizadas em um dos edifícios mais icônicos da Avenida Faria Lima, em São Paulo, o Birmann 32, um prédio de 25 andares que abriga o teatro B32 e a famosa baleia prateada. No edifício prateado localizado na Rua Joaquim Floriano, 100, outras 15 empresas investigadas dividem o mesmo endereço. (Metrópoles)
A Receita Federal identificou ao menos 40 fundos de investimento, a maior parte deles de multimercado e ativos imobiliários, no esquema de lavagem de dinheiro organizado por empresas financeiras que tinha como principal beneficiado o PCC. Dados da Receita mostram que esses fundos tinham patrimônio conjunto que superava os R$ 30 bilhões. Parte dos fundos era usado também para ocultar o patrimônio de criminosos ligados à facção com sede em São Paulo e com atuação em todo o país. Todos os fundos, diz a receita, são fechados e têm apenas um único cotista. Os fundos, mostra também a Receita, financiaram a compra de um terminal portuário, quatro usinas de álcool, 1,6 mil caminhões para transporte de combustível além de 100 imóveis pelo Brasil. (g1)
Veja as principais instituições do mercado financeiro que foram alvo da operação. (CNN Brasil)
A operação vai impactar profundamente as fintechs que operam no Brasil. Haddad havia antecipado que a partir desta sexta-feira a Receita Federal enquadraria as empresas de finanças que atuam no mercado digital como instituições financeiras regulares, a exemplo dos grandes bancos do país. A norma foi publicada nesta manhã no Diário Oficial da União. “Com isso, aumenta o potencial de fiscalização da Receita e a parceria da Receita com a Polícia Federal para chegar aos sofisticados esquemas de lavagem de dinheiro que o crime organizado tem utilizado”, disse o ministro. Haddad acrescentou ainda que a Receita vai utilizar inteligência artificial para aprimorar a fiscalização contra essas empresas. (Valor e g1)
O secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, disse que a revogação da instrução normativa que ampliava o monitoramento de operações financeiras, em janeiro, foi resultado do “maior ataque de mentiras e fake news da história da Receita”. O discurso de que haveria “taxação do Pix”, capitaneado nas redes pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), segundo Barreirinhas, não só inviabilizou a norma, como acabou beneficiando diretamente organizações criminosas envolvidas no esquema desbaratado ontem. (CNN Brasil)
Vera Rosa: “O governo Lula viu na Operação Carbono Oculto a oportunidade ideal para enquadrar as fintechs sem ter de recuar, como ocorreu em janeiro. Há tempos a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) cobravam do Ministério da Fazenda providências contra essas empresas, que não estão sob a supervisão do Banco Central nem da Receita Federal, e têm sido usadas para lavagem de dinheiro do crime organizado e até de bets irregulares”. (Estadão)
O diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, disse que o esquema de lavagem de dinheiro que une o PCC e fintechs da Faria Lima não era de uso exclusivo da facção criminosa. A expectativa é de que, com o aprofundamento das investigações, novos grupos que se beneficiavam do esquema venham à tona. (CNN Brasil)
A Polícia Federal iniciou uma investigação própria para apurar suspeitas de que teria havido vazamento da operação. Dos 14 mandados de prisão emitidos pela Justiça, apenas seis foram cumpridos porque os alvos não foram encontrados. A suspeita é que ao menos parte deles tinha informação de que seria presa. (Neofeed)
Entre eles estão Roberto Augusto Leme Silva, o Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo, apontados como os verdadeiros donos do grupo de distribuição de combustíveis Aster/Cocape, ligado ao PCC e vetor principal no esquema desbaratado pelas investigações. Os dois não foram encontrados pela polícia e agora são considerados foragidos da Justiça. (Estadão)
O governo federal iniciou o processo que pode levar à aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos pela aplicação do tarifaço contra produtos brasileiros exportados para os americanos. O Ministério das Relações Exteriores informou à Câmara de Comércio Exterior (Camex) que o Brasil iniciou as consultas e medidas para aplicar a legislação contra os EUA. A Camex tem 30 dias para avaliar se é possível a aplicação da lei. O Brasil vai notificar oficialmente o governo americano sobre o início do processo nesta sexta-feira. Entre as alternativas discutidas por especialistas dos setores de óleo e gás, farmacêutico e agrícola, está a suspensão de direitos de propriedade intelectual, o que poderia incluir a quebra de patentes de medicamentos e defensivos agrícolas. (g1)
Jussara Freire: “Integrantes do governo afirmaram que o início do processo deixa espaço para que os Estados Unidos se manifestem durante a investigação e também para que mantenham diálogos diplomáticos. O governo brasileiro tem repetido que não se recusa a negociar os termos comerciais”. (CNN Brasil)
O Julgamento do Século — episódio 2 de Democracia — Uma História Sem Fim — vem aí. Vamos te contar os bastidores do julgamento de Jair Bolsonaro de um jeito único: na voz de juristas, políticos e militares do Alto Comando. Assine o Meio Premium e assista no streaming.
Viver
Um estudo publicado na revista Plos One estima que os humanos podem inalar até 68 mil partículas de microplástico por dia. Medindo cerca de um sétimo da espessura de um fio de cabelo humano, os pesquisadores sugerem que a inalação desse material causa impactos na saúde que “podem ser mais substanciais do que imaginamos” por poder entrar na corrente sanguínea e penetrar profundamente no sistema respiratório. (Guardian)
Feitos com materiais reciclados, vista para o céu e estrutura pensada para se integrar à natureza, os domos geodésicos são construções sustentáveis que têm ganhado cada vez mais espaço no Brasil. A construção em formato de cúpula lembra um iglu com isolamento acústico e térmico e móveis feitos com madeira de manejo florestal. De montagem rápida, a parte elétrica e hidráulica já sai pronta da fábrica. (g1)
Meio em vídeo. O Congresso aprovou o chamado “PL da Adultização”, que promete proteger crianças do caos digital. No De Tédio a Gente Não Morre, Mariliz Pereira Jorge questiona se isso vai realmente mudar alguma coisa. (YouTube)
Cultura
O Grupo Galpão volta aos palcos com (Um) Ensaio sobre a Cegueira, adaptação de Rodrigo Portella para a obra de José Saramago, que fica em cartaz até 14 de setembro no Teatro Carlos Gomes, no Rio. No sábado, Pat Metheny, um dos guitarristas mais influentes do jazz, comemora 50 anos de carreira no Vivo Rio. Em São Paulo, acontece na ARCA o SP-Arte Rotas 2025 com 60 projetos curados e desenvolvidos por galerias, instituições e curadores independentes. Dissolvendo as fronteiras entre ópera, artes visuais e música contemporânea, tem a experiência imersiva Opera Macchina, na Central Técnica Chico Giacchieri. Leia todas as sugestões no site do Meio.
O Lollapalooza Brasil anunciou as principais atrações do festival em 2026, com Sabrina Carpenter, Tyler the Creator, Lorde, Chappell Roan, Deftones e Skrillex entre os headliners. O evento, que acontece nos dias 20, 21 e 22 de março, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, iniciou a venda de ingressos em 22 de julho. Vencedora do Grammy de Melhor Álbum de Rap deste ano, Doechii estreia nos palcos brasileiros em um dos dias do Lolla. Uma novidade inusitada é o astro da NBA Shaquille O'Neal, que vai se apresentar sob o pseudônimo DJ Diesel com um set de música eletrônica, como parte de sua turnê Summer of Bass. (g1)
Cotidiano Digital
A OpenAI anunciou que vai abrir um escritório em São Paulo até o fim do ano, marcando sua primeira operação na América Latina. O Brasil já é um dos três maiores mercados do ChatGPT no mundo, com mais de 50 milhões de usuários e 140 milhões de mensagens por dia, e agora entra no plano de expansão internacional da empresa. A sede paulista será usada para treinamentos, encontros e apoio a organizações sociais, e para ficar mais próximo do setor empresarial. (Folha)
O Threads começou a testar um recurso que permite anexar textos longos diretamente nas postagens, o que deve facilitar a vida de quem compartilha reflexões, trechos de livros ou análises mais elaboradas. A novidade ainda está em fase de testes. Ao contrário do X, onde o recurso de artigos é restrito a assinantes premium, o Threads liberará o anexo para todos os usuários, ao menos no começo. Desde o lançamento, há dois anos, o Threads acumula 400 milhões de usuários ativos mensais. (TechCrunch)
Meio em vídeo. No novo Pedro+Cora, Pedro Doria e Cora Rónai entrevistam André Rodrigues Alves, gerente de vendas da Oppo no Brasil. A marca, novidade no mercado de celulares, chega para disputar espaço entre os gigantes de tecnologia e promete agitar o setor. (YouTube)