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Edição de Sábado

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Edição de Sábado: A conta que dá trabalho

Nos últimos meses, o debate sobre o mundo do trabalho voltou ao centro da política brasileira. A escala 6x1 e o trabalho por plataformas estão na agenda do Congresso e do governo, embora a discussão sobre pejotização esteja paralisada no Supremo. À primeira vista, parecem discussões distintas. Na prática, elas esbarram no mesmo problema: em um país marcado por informalidade alta, renda instável e proteção desigual, mudar a regra não basta para garantir que ela alcance a maioria dos trabalhadores.

Edição de Sábado: O ocaso de uma hegemonia

Analogias históricas para explicar o presente raramente são exatas e muitas vezes levam a conclusões, se não equivocadas, ao menos distorcidas pelo calor do momento. Mas com o frágil acordo de cessar-fogo na guerra liderada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, diplomatas, historiadores e aliados antigos de Washington estão cada vez mais tentados a chegar a uma conclusão desconfortável para o Ocidente: a de que este pode ser o “momento Suez” dos Estados Unidos. Assim como a crise de 1956 sinalizou o declínio terminal do poder global britânico, o conflito de duas semanas contra a República Islâmica deixou a credibilidade americana em frangalhos, a economia mundial duramente impactada, o dólar fragilizado e criou um vácuo de influência que Pequim parece ter preenchido com uma rapidez alarmante.

Edição de Sábado: Microaten… ih, um vídeo de gatinho!

Era para ser só mais uma olhada rápida no telefone, mas você cai na armadilha de abrir o Instagram e se depara com algo que chama sua atenção: um vídeo, provavelmente, que o leva para um próximo conteúdo, que leva a outro post e mais outro. Enquanto olha para a tela, o cérebro libera dopamina, criando uma sensação de prazer e reforçando o comportamento para incentivar a repetição. Logo percebe que a pausa de “um minutinho” se tornou quase meia hora e volta ao trabalho ou estudo. Mas o foco foi quebrado, e sua mente vaga por uma atividade e outra, muitas vezes simultaneamente entre ler uma mensagem no WhatsApp, responder a um e-mail de trabalho e ver mais um story. É a atenção sendo fragmentada ao longo do dia, ou melhor, a microatenção, um problema que afeta em particular a educação e o trabalho.

Edição de Sábado: Eleitor liberal procura

“Um centro mais radical.” Foi assim que o presidente do PSD, Gilberto Kassab, definiu o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, em entrevista ao Canal Livre. Na mesma fala, antes sequer de terminar a frase, classificou o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como “um centro com posições mais conservadoras, mais à direita”, e posicionou o incumbente do Paraná, Ratinho Júnior, entre ambos, com “um perfil intermediário”. Naquele momento, há cerca de um mês, Kassab ainda mantinha os três nomes na sua estratégia. Caberia a ele escolher um para disputar a Presidência, alguém capaz de encarnar uma candidatura que oferecesse ao eleitor uma alternativa fora da polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Com o terno azul escuro alinhado, o olhar firme e a sobriedade que lhe são típicos, deixou escapar pistas sobre o critério de escolha.

Edição de Sábado: A encruzilhada do PT

O anúncio do que já se especulava desde o fim do ano passado veio na quinta-feira, durante a abertura da 17ª Caravana Federativa, em São Paulo. “Hoje, para mim, é um dia especial, um dia em que estou deixando o Ministério da Fazenda”, disse brevemente Fernando Haddad (PT). Foi o suficiente para movimentar as manchetes. Outra fala, no entanto, capturou o protagonismo, a do vice-presidente Geraldo Alckmin. “Quero, Haddad, ao abraçá-lo quando você encerra esta jornada, que é só transitória, dizer que você tem uma das raras virtudes da vida pública: a coragem da moderação. É um exemplo a todos nós que nos dedicamos a servir a população.” O antigo adversário histórico do PT colocava, ali, sobre os ombros do ex-ministro a mesma missão para a qual foi chamado ao governo há quatro anos: transformar a moderação, já marca de sua trajetória, em ativo eleitoral.

Edição de Sábado: Ormuz, a arma do Irã

Imagem: MODIS Land Rapid Response Team / NASA GSFC

Nas águas turquesas e estreitas que separam as montanhas escarpadas do Irã das planícies áridas de Omã, o mundo assiste ao que analistas já chamam de a maior ”armamentização da geografia” da história moderna. O Estreito de Ormuz, uma artéria vital por onde flui um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) do planeta, tornou-se o epicentro de um conflito que ameaça mergulhar a economia global em uma recessão profunda e imprevisível. Desde o início dos ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, o regime de Teerã respondeu com o fechamento efetivo deste canal de apenas 33 quilômetros de largura em seu ponto mais estreito. O que tem se seguido é um choque de oferta de energia sem precedentes e mais de três vezes maior do que o embargo petrolífero árabe de 1973, forçando o mundo a enfrentar uma volatilidade que muitos economistas acreditavam ter ficado no passado, em uma escala que desafia tanto a supremacia militar americana quanto a estabilidade das prateleiras de supermercados em São Paulo , das bombas de gasolina em Nova York e de farmácias em Nova Déli.

Edição de Sábado: Os inimigos do Supremo

O escândalo Master expõe ao Brasil algo que o jurista Conrado Hübner Mendes, cientista político e professor de Direito Constitucional da USP, denuncia há anos: há membros do Judiciário brasileiro que se colocam acima das leis, como que numa casta diferente de cidadãos, que ele denomina de magistocracia. Eles agem de acordo com os próprios interesses, sem qualquer intenção de prestar contas e sem constrangimentos. Esses indivíduos corroem as instituições de que são parte. Mas não devem nunca ser confundidos com elas. No caso de ministros do Supremo Tribunal Federal, eles atuam como inimigos internos da Corte, ao minar sua legitimidade e credibilidade e abrir o flanco àqueles que veem no Judiciário um poder a ser neutralizado. “Por responsabilidade, ou irresponsabilidade, desses inimigos internos, o Supremo certamente sai mais frágil dessa história”, diz Conrado, com sua coragem habitual.

Edição de Sábado: Rumo ao desconhecido

“Pense em fevereiro de 2020”, começa um texto que viralizou no X nas últimas semanas, com mais de 80 milhões de visualizações.

Edição de Sábado: ‘Lula está pedindo para perder a eleição’

Foto: Reprodução / Instagram @romerojuca

Apesar de ter dedicado 24 anos de sua vida ao Senado e de ter sido um dos principais articuladores políticos de Brasília, líder de quatro governos no Congresso — Fernando Henrique Cardoso, Lula, Dilma Rousseff e Michel Temer —, além de ministro da Previdência no primeiro mandato de Lula e do Planejamento no governo Temer, ele prefere dispensar os títulos. “Me chama só de Romero.” É desse lugar, fora dos cargos, mas ainda no centro das engrenagens do poder, que Romero Jucá observa o tabuleiro político com a frieza de quem passou décadas costurando acordos, prevendo movimentos e administrando crises. Para ele, o Brasil vive hoje uma de suas fases institucionais mais delicadas: um Legislativo hipertrofiado pelo controle do orçamento, um Supremo cada vez mais protagonista e um Executivo fragilizado, em meio à polarização que lança agora os campos da direita e da esquerda numa disputa para ver “quem erra mais” até a eleição.

Edição de Sábado: Os sentidos da folia

Foto: Fernando Maia/Riotur

Tempo é algo que se mede de forma diferente quando pensamos em Carnaval. Se hoje é oficialmente o primeiro dia de folia e tudo vai se acabar na quarta-feira, como lembra a icônica canção de Vinicius de Moraes e Tom Jobim, para quem tece a trama invisível que sustenta a maior festa popular do Brasil, a ideia de que o Carnaval é um evento de quatro dias é uma ficção burocrática. Uma ilusão conveniente para turistas e planilhas de prefeituras. Em 2026, ao tentar entender “o que significa brincar o Carnaval?”, a primeira resposta que emerge das vozes que constroem a folia — do chão de terra batida da Zona da Mata pernambucana aos camarotes climatizados de Salvador — é uma recusa radical à efemeridade.