Quem é a direita não-bolsonarista?
Nossa missão, hoje, é a seguinte. Entender como dois números podem ser simultaneamente verdade. De um lado, Datafolha. 61% dos eleitores brasileiros dizem que não votam em quem prometer anistia ou indulto para Jair Bolsonaro. Do outro, a avenida Paulista encheu, ontem, na passeata bolsonarista. 37 mil e seiscentas pessoas na contagem do Cebrasp da USP com a More in Common. Não foi a maior multidão que o time bolsonarista levou pra rua esse ano, tá? A manifestação pela Anistia, em 6 de abril, tinha 44 mil pessoas. Mas, olha, encheu rua. Muito diferente dos fiascos de Copacabana, em março, e da Paulista, em junho.
Bolsonaristas pedem anistia, mas 61% dos brasileiros são contra, diz Datafolha
Uma pesquisa Datafolha divulgada neste fim de semana mostrou rejeição à ideia de anistia: 61% dos entrevistados dizem que não votariam em um candidato que prometesse livrar, de qualquer pena ou punição, Jair Bolsonaro, seus aliados acusados de tramar contra a democracia e os condenados pelo 8 de Janeiro. Coincidência ou não, governadores do espectro da direita que vinham marcando presença em atos em defesa da anistia aos envolvidos na tentativa de golpe não compareceram ao ato convocado por bolsonaristas neste fim de semana. Os governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas; do Paraná, Ratinho Júnior; de Goiás, Ronaldo Caiado; e de Minas Gerais, Romeu Zema, alegaram outros compromissos para justificar sua ausência. As manifestações ocorreram em pelo menos 20 capitais. Segundo o Monitor do Debate Político e a ONG More in Common, mais de 37 mil pessoas compareceram ao ato na avenida Paulista. O próprio Jair Bolsonaro esteve ausente, já que cumpre medida cautelar que proíbe que ele saia de casa aos sábados e domingos. O Central Meio recebe o cientista político Cláudio Couto.
Brasil x EUA: existe guerra entre democracias?
Neste Ponto de Partida React, Pedro Doria responde os comentários da audiência selecionados por Yasmim Restum. Entre os temas, Alexandre de Moraes e a Lei Magnitsky, polarização, mercantilismo, soberania e a guerra do tarifaço entre EUA e Brasil.
Lula convoca STF em defesa de Moraes, mas apenas seis ministros comparecem
O presidente Lula ofereceu ontem um jantar aos ministros do STF para discutir quais estratégias serão adotadas na defesa de Alexandre de Moraes, sancionado pela Lei Magnitsky. Mas apenas seis dos onze compareceram: Luís Roberto Barroso — presidente da Corte —, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Edson Fachin e Alexandre de Moraes. Além dos ministros André Mendonça, Nunes Marques e Luiz Fux, que têm votado de forma contrária a Moraes, também não foram ao jantar os ministros Dias Toffoli e Cármen Lúcia. O Central Meio de hoje recebe Christopher Garman, Diretor-Executivo das Américas da Eurasia Group.
Trump abranda tarifaço, pune Moraes e parte da direita brasileira fica em silêncio
Não é de hoje que a ação do Governo Trump, provocado por Eduardo Bolsonaro, está causando confusão na direita brasileira. E depois do mais novo ataque, a aplicação da Lei Magnitsky ao ministro do STF Alexandre de Moraes, o que se observa nesse campo é silêncio. Tarcísio de Freitas, Ronaldo Caiado e Ratinho Júnior não comentaram a aplicação a um ministro da Suprema Corte brasileira de uma sanção feita para envolvidos em casos graves de corrupção ou violações de direitos humanos. Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, se posicionou ontem dizendo que não com todas as decisões de Moraes, mas que ele é um ministro da Suprema Corte, escolhido por um presidente, referendado pelo Congresso e que exerce a função de acordo com a Lei brasileira. Hoje, Romeu Zema, governador de Minas Gerais, disse que Moraes “paga pelo que plantou”. O Central Meio recebe Marcos Jank - coordenador do Insper Agro Global.
Cora Rónai quase cai no golpe do PIX no Prime Day
No Pedro+Cora do dia 31 de julho de 2025, os jornalistas Pedro Doria e Cora Rónai falam sobre golpes na internet. No papo, falam sobre o golpe que Cora quase caiu fazendo compras de produtos de beleza online, a facilidade dos golpes devido ao método de pagamento via PIX, alguns motivos das pessoas não abrirem queixas ou boletins de ocorrência contra esses golpes e algumas dicas para evitar esse tipo de golpe.
Alexandre, Magnitsky e picanha barata
Os Estados Unidos incluíram o ministro Alexandre de Moraes na lista de Estrangeiros Especialmente Designados pela Lei de Responsabilização Global por Direitos Humanos Magnitsky. Neste momento, de forma meio infantil até, os bolsonaristas estão eufóricos. E acho que a gente tem de falar isso. Da sua parte, o ministro está dizendo que não liga. E tudo bem. Mas o problema é grande, é sério, e precisa ser compreendido. Porque desorganiza de vez todo o sistema democrático internacional. E não foi só isso que a Casa Branca fez. O presidente Donald Trump também impôs a tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros. A lista de exceções é tão grande que, no fim, é quase como se não tivesse tarifa nenhuma. Sobraram de importante só café e carne. Ou seja, café bom e carne boa vão ficar mais baratas aqui. Quer dizer, o agro se ferrou e Lula vai poder dizer que tem picanha mais barata para todo mundo. Olha, ler a ordem executiva explica muita coisa sobre Trump.
A prisão de Carla Zambelli; as incertezas sobre o tarifaço de Trump e a fome em Gaza
A Justiça italiana deve decidir até amanhã o destino da deputada Carla Zambelli, presa ontem, em Roma, dois meses depois de fugir do Brasil. Condenada a dez anos de prisão por falsidade ideológica e invasão do sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça com a ajuda de um hacker, Zambelli pode ser libertada, ficar em prisão domiciliar ou ser extraditada paro o Brasil. Enquanto isso, segue a contagem regressiva para o tarifaço de Donald Trump, que começa sexta-feira, com alguns indícios de alívio. Ontem o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, afirmou que os produtos alimentícios que não são produzidos lá podem ser isentos de tarifas de importação. Mas não disse se o Brasil poderia se beneficiar dessa decisão. E o mundo olha com grande preocupação para a fome em Gaza. Um relatório da Organização Mundial da Saúde aponta que 74 pessoas morreram por desnutrição aguda neste ano. Pelo menos 63 agora em julho. O Central Meio recebe a doutora em Relações Internacionais e assessora do Instituto Brasil-Israel, Karina Calandrin.
Ele vai ser condenado
Estamos chegando perto do julgamento mais importante da história da República brasileira. Sim: o mais importante. A razão é a seguinte: democracia, para funcionar, precisa de tempo. Não bastam dez ou vinte anos. Democracia precisa de continuidade. Cinquenta anos, setenta. E uma única força insiste em se intrometer na nossa democracia. Foram, desde 1889, sete vezes que um ou mais generais derrubaram o regime legal, a Constituição, porque queriam escolher quem mandaria no Brasil. Por sete vezes deu certo. Mas muitos outros golpes militares foram tentados e não deram certo. Nunca um general foi julgado por tentar interromper a democracia.