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As notícias mais importantes do dia, de graça

Pedro Doria

Diretor de jornalismo do Meio. É também figura fácil no Twitter e Instagram. Colunista de O Globo, O Estado de S. Paulo e da CBN. Foi editor-executivo do Globo e editor-chefe de digitais do Estadão, além de colunista da Folha de S. Paulo. Knight Fellow pela Universidade de Stanford. É autor de oito livros, a maioria sobre história do Brasil.

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Conheça o Moltbot, a IA que assume o controle do seu computador

No Pedro+Cora do dia 29 de janeiro de 2026, os jornalistas Pedro Doria e Cora Rónai falam sobre o Moltbot, uma inteligência artificial que assume o controle, realiza e gerencia tarefas dentro de um computador. No papo, falam sobre o que imaginam que essa inteligência artificial é capaz de fazer, os perigos que o Moltbot oferece ao realizar comandos e a desconfiança de IAs que conseguem controlar dispositivos

Vai ter briga na direita

A entrada de Ronaldo Caiado no PSD muda radicalmente o jogo da eleição de 2026. Tudo indica que vai ter briga na direita e vamos ter uma disputa contra o bolsonarismo.

Saiba tudo sobre o código de ética da IA criado pela Anthropic, fundadora do Claude

No Pedro+Cora do dia 27 de janeiro de 2026, os jornalistas Pedro Doria e Cora Rónai falam sobre a segunda versão do código de ética da inteligência artificial feita pela  Anthropic, criadora do Claude. No papo, falam sobre as regras que os usuários precisam seguir para não violar regras da IA, as preocupações da empresa para que a sociedade não use esses modelos de linguagem para golpes de estado ou confecção de armas e a produção de imagens pornográficas de famosos e pessoas através de inteligências artificiais.O Livro da Cora: “Infância: Cenas da vida na província”, de J. M. Coetzee

A ICE, Trump e o fascismo

Donald Trump é fascista. Mas espera aí. Não simplesmente ouve o que estou dizendo e reage de presto na base da emoção. Calma. Não sai gritando “isso aí” ou “comunista”. Vamos conversar. Me perdoem os militantes de esquerda, mas a maneira como a esquerda usa essa palavra, “fascismo”, a contamina. Num mundo em que “fascismo” é a maneira de xingar aqueles de quem não gostamos, fascismo de verdade não é nada. E, olha, desde que me interesso por política, a turma de esquerda mais radical sempre chamou qualquer adversário de fascista. Nossa. Fernando Henrique era chamado de fascista em passeata no Centro do Rio, de São Paulo. Ainda hoje, tá? Metade da turma de esquerda que milita nas redes sociais não sabe distinguir um fascista de um liberal. E, se você abrir qualquer livro de ciência política descente, a primeira coisa que lerá na primeira linha de uma tentativa de definir fascismo é que, ora, é iliberal. É da oposição ao liberalismo político que o fascismo surge. É da convicção que a Democracia Liberal é fraca. Quando você não sabe distinguir liberalismo de fascismo, é claro que fascismo vira xingamento. Então, vem cá: o que é fascismo de verdade? No meio da crise econômica terrível dos anos 1920 e 30, formou-se a convicção de que democracias não funcionavam mais. À esquerda, muita gente apostou que o comunismo era a alternativa. À direita, a solução apontada foi o fascismo. O fascismo é menos uma ideologia, no sentido de um conjunto de modelos mentais que explicam como a sociedade funciona, e mais um estilo. Fascismo é um estilo de fazer política. Esse estilo leva a uma estratégia para chegar ao poder primeiro e, depois, reorganizar o Estado. A ideia liberal, em essência, é a seguinte: todos nós, seres humanos, temos o mesmo conjunto de direitos. Devemos ser tratados com dignidade pelo Estado. O Estado, na verdade, serve para garantir estes direitos de todos. O fascismo se vira e diz, não, não é assim. Existe o povo de verdade e os outros. Os intrusos. Os que sugam os recursos e fazem com que a vida para o povo fique mais difícil. A democracia liberal é leniente com estes e, por isso, enfraquece o povo. Sacrifica o povo. Para restaurar aquele tempo passado de grandeza, precisamos expurgar essa turma aí. Os que sugam. Neste fim de semana, a ICE, a polícia imigratória americana, matou o segundo cidadão americano em Minnesotta. Alex Pretti foi executado com dez tiros nas costas quando estava de joelhos, imobilizado e desarmado. O primeiro tiro foi dado a queima-roupa. Dez tiros em dez segundos. Como eu disse, o fascismo é um estilo que leva a uma estratégia de tomada do Estado. Vamos entender como esses dois assassinatos de cidadãos americanos pela ICE mostram o caminho? Como estilo, o fascismo tem alguns componentes. Primeiro, um líder forte e carismático. Em geral, muito bom no uso de tecnologia de comunicação de ponta. Mussolini e Hitler eram excelentes de rádio e cinema. Inspiravam. A história que contam tem sempre dois pedaços. Um passado glorioso, um povo heróico. Agora esse povo é humilhado por quem é de fora. Esse de fora tem o componente externo, os outros países que nos traíram, e o interno, os que não pertencem a nós e estão ao redor. A partir da história contada, o grande líder reconhecido, o fascismo é tribal. Ele se uniformiza. Todo movimento fascista usa uma mesma roupa em manifestações. Faz parte da identificação de tribo. É sempre muito masculino. E o líder fascista estimula que seus seguidores mais leais se armem. Estimula ataques às instituições de Estado. No início, o fascismo é um movimento popular com um braço armado frouxo, desorganizado. Os nazistas tinham a SA, os italianos tinham os camisas negras. Donald Trump tinha grupos como os Proud Boys e outras milícias. A gente os viu no ataque ao Capitólio de 6 de Janeiro. O objetivo é intimidar. Só que, tem uma hora, essa coisa meio bagunçada não funciona muito mais e o fascista está no governo. Às vezes demora mais, às vezes menos. Mas as milícias são desarticuladas e substituídas por algum tipo de força policial. Para os nazistas, a SS. Para os italianos, a polícia política, a ÒVRA. Estas forças que substituem as milícias são paramilitares. Têm função de polícia mas operam como militares. Seu objetivo declarado é expurgar da nação aqueles de fora do povo. Mas, na verdade, a maneira como funcionam vai bem além disso. O objetivo é intimidar aqueles que ainda não abraçaram o novo estilo de liderança. Você mora num prédio de apartamentos e, na calada da noite, alguém bate forte à porta ao lado. É a daquele seu vizinho com uma cor de pele diferente, com uma cultura diferente, com uma religião diferente. Você ouve tumulto, ouve berros, desespero e truculência. E não faz nada. Fica em silêncio. Por que você se cala? Porque você já entendeu que, mesmo sendo cidadão daquele país, mesmo pertencendo à cultura, à etnia ou à religião okay, se você se intrometer com aquela polícia especial, vai apanhar, vai morrer. Porque a ninguém é permitido proteger os que devem ser expurgados. Ataque cidadão os suficiente e, assim vai a lógica, tem uma hora que as pessoas se calam. Um último detalhe aqui, importante. Comunicação. Comunicação é tanto forma quanto mensagem. Na forma, esse aparato novo de segurança precisa parecer intimidador. Eles se vestem como militares em guerra, usam veículos de guerra dentro das cidades. Greg Bovino, o comandante da ICE, usa um sobretudo de couro. Eles vão negar até o fim que são o que parecem ser. Mas a imagem tem objetivo. E aí, claro, a mensagem. Minta. Repita a mentira. Repita mais uma vez a mentira. Não importa se o vídeo contradiga. Uma mentira repetida mil vezes vai virar verdade. Neste momento, quando uniformemente toda a sociedade se rendeu ao medo, a nação é fascista e o Estado fascista se impôs. Qual é a diferença, aqui? Quando Benito Mussolini chegou ao poder, em 1922, a democracia italiana tinha, formalmente, 60 anos de idade. Mas, vá. Só a elite da elite da elite pôde votar na maior parte desse período. Sufrágio universal masculino, quer dizer, todo homem italiano pode votar, só a partir de 1912. E tem a Primeira Guerra entre 14 e 18. A Itália nunca teve uma experiência realmente democrática. Na Alemanha, a história era pior. Sua experiência democrática, quando Hitler chegou ao poder em 1933, era a República de Weimar e só. 14 anos de uma democracia fraca, que os alemães consideravam imposta por estrangeiros para ser fraca. Nenhum destes países tinham uma cultura democrática. Os Estados Unidos têm 240 anos de cultura democrática. Claro, teve escravidão, direitos plenos para negros em muitos estados só veio nos anos 1960. Mas é uma experiência contínua em que os direitos foram paulatinamente sendo ampliados e integrando cada vez mais gente. Nunca houve uma retirada de direitos. Eu sei, eu sei, vai ter gente que vai discordar. É porque não entende o que é democracia. Vamos encarar essa? O que é a democracia? Foi oligárquica no mundo todo durante todo o século 19, com pouca gente votando. Nos países multiétnicos, multiculturais, democracias sempre foram mais pruns grupos do que para outros. É o processo histórico. Democracia é uma promessa, é uma meta de futuro, e um conjunto de ferramentas. Entender a democracia, se engajar na democracia, é entender que é contigo. Que é com cada cidadão. Que nunca é com o governo. O governo vai para onde a gente aponta. Nós, aqui, temos uma democracia fraca porque, para nós, a culpa é sempre dos outros. Sempre do governo da vez. O buraco na rua em frente à casa? O problema é do governo. Nos engajamos pouco em nossas comunidades. Nos Estados Unidos, como em outras democracias bastante mais maduras, não é assim. As pessoas são muito ativas. Frequentam as reuniões dos conselhos locais das escolas públicas, Fazem campanhas comunitárias o tempo todo. Bate-se à porta dos vizinhos para conversar sobre um tema importante da região. Criar um parque, restaurar uma praça, essas coisas, na cabeça do americano médio, é parte do viver cotidiano. O que tanto Renee Good quanto Alex Pretti estavam fazendo era agir como cidadãos. Tem ali agentes do Estado que, eles compreendiam, estavam passando por cima de direitos. Então estavam ali para, simultaneamente, protestar e prestar testemunho. Registrar em vídeo. Por que este reflexo? Porque partem do princípio de que haverá um momento em que estes casos vão para um tribunal e haverá julgamentos. Porque, na sua cabeça, no país em que vivem esse tipo de ação não existe, não pode existir e uma hora vai parar. Basta que cidadãos resistam. Donald Trump é um líder fascista. O Estado americano não é um Estado fascista. Mas o líder está usando o método para fascistizá-lo. No fim das contas, é a sociedade que se entrega ou não. Temos uns 80 anos de estudo profundo sobre como democracias funcionam. Se a ciência política liberal estiver correta, Trump é um pesadelo que pode impor muito estrago aos Estados Unidos, pode ser capaz de fazer o país retroceder em décadas, demorar a se recompor. Mas não vai ser capaz de convertê-lo num Estado totalitário. Num Estado fascista. Por uma razão muito simples. Quando a cultura de cidadania ativa está muito embrenhada numa sociedade, você não consegue mais dobrá-la. Uma sociedade com tanto tempo de cultura democrática não se entrega a um ditador totalitário. É um caminho sem volta. Se a ciência política liberal estiver errada e os americanos entregarem as pontas? Bem, aí a gente vai ter de rever tudo o que compreendemos sobre democracia.

As ideologias brasileiras e a crise do liberalismo

No Ponto de Partida React de hoje, Pedro Doria e Luiza Silvestrini conversam sobre os resultados da pesquisa Meio/Ideia que mapeou as ideologias dos brasileiros e também sobre a fala de Mark Carney em Davos. Durante o Fórum Econômico Mundial, Carney disse que mundo passa por uma "ruptura" na ordem mundial.

O que as notas de Fachin e Gilmar Mendes dizem sobre a atuação do STF no caso Master?

No Central Meio de hoje, Pedro Doria, Flávia Tavares e Magno Karl analisam as últimas notícias sobre o caso do Banco Master envolvendo Dias Toffoli, como as notas de Edson Fachin e Gilmar Mendes. Qual a linha de defesa dos ministros do STF? Além disso, vamos falar sobre o envolvimento de governadores no escândalo e de dirigentes do Rioprevidência. No final do programa, as dicas culturais para o fim de semana com Guilherme Werneck.

O Agente Secreto no Oscar; resort da família Toffoli no centro da crise do Master

No Central Meio de hoje, Pedro Doria, Leonardo Pimentel e o analista político Creomar de Souza comentam as últimas notícias sobre o caso do Banco Master envolvendo o ministro do STF Dias Toffoli. Além disso, vamos falar sobre as quatro indicações do filme O Agente Secreto ao Oscar.

CEO do Claude critica decisão de Trump de permitir a venda de chips de IA para China

No Pedro+Cora do dia 22 de janeiro de 2026, os jornalistas Pedro Doria e Cora Rónai falam sobre a permissão que Donald Trump concedeu para que a Nvidia e a AMD vendam chips de inteligência artificial para a China. No papo, falam sobre a crítica feita por Dario Amodei, CEO da Anthropic que fala da equivalência da venda de chips de IA com a venda de armas nucleares para Coreia do Norte e o perigo dos Estados Unidos perderem sua vantagem técnologica em relação as inteligências artificiais por conta da decisão de Trump.

O premiê canadense está certo

O primeiro ministro canadense Mark Carney fez, ontem, talvez o melhor e mais importante discurso deste ano em Davos. E esse discurso é, essencialmente, um convite às médias potências do mundo a caminharem juntas. É com a gente, tá? Brasil, hoje, é a décima economia do mundo. O Canadá é a nona. Coreia do Sul, a décima segunda. Índia, a quarta. França, Itália, sétima e oitava. Agora, neste pacote do Carney, está também uma leitura muito pragmática de como o mundo funcionava e como parece que está caminhando para funcionar.

Fachin volta a Brasília para gerenciar crise do Master; Tarcísio não visita Bolsonaro

No Central Meio de hoje, Pedro Doria e Flávia Tavares recebem a cientista política Maria De Carli, Mestre pela London School of Economics. O presidente do STF Edson Fachin segue em férias, mas retornou à capital federal antes do previsto para gerenciar a crise do caso Master. Enquanto isso, Tarcísio de Freitas cancelou a visita que faria a Bolsonaro na Papudinha e alegou compromissos em São Paulo.